PT e PMDB, aliados de Renan, liberam bancadas

Em meio a sinais de que Planalto considera situação insustentável, 6 dos 12 petistas, quando sondados, se mostram dispostos a condenar senador

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

O cenário para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ficou ainda mais complicado na véspera de seu julgamento em plenário, marcado para hoje. Apontado como fiel da balança, o PT decidiu liberar o voto de seus 12 senadores. Para piorar, nem próprio PMDB fechou posição em favor de Renan. O partido não fez reunião com a bancada, mas manteve "a posição de sempre", segundo definição de seu líder no Senado, Valdir Raupp (RO): "Liberar cada um para votar de acordo com sua consciência." Na avaliação de Raupp, contudo, não fechar questão pela absolvição não significa abandonar o presidente do Senado à própria sorte.Sintomaticamente, o mesmo argumento de Raupp foi usado pela líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). "Todo mundo está livre, leve e solto para votar de acordo com sua consciência", resumiu Ideli. A definição do PT foi recebida como mais um sinal de que o Palácio do Planalto deu as costas para o peemedebista. Um dia antes, os petistas já tinham sido alertados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que Renan não tem condições políticas de continuar no cargo, ainda que venha a ser absolvido hoje.A liberação de sua bancada no Senado não apenas deixa o PT livre, mas abre oportunidade para que o partido retoque sua imagem perante a opinião pública, desgastada diante da recente aceitação da denúncia, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dos 40 envolvidos no mensalão.SEM CONSULTAA líder do PT no Senado negou ter consultado os colegas na reunião de ontem sobre como vão votar hoje. Mas, sondados, 6 dos 12 petistas mostram-se dispostos a condenar Renan. Até então ferrenha defensora do presidente do Senado, Ideli não fez juízo de valor. Mas aproveitou para criticar o fato de a Casa ter de julgar um de seus integrantes. Para ela, esse procedimento é "viciado". "Não posso dizer se é ou não legítimo. Mas há risco do vício pelos interesses em jogo", afirmou a senadora catarinense. Ela explicou que, como não se trata apenas do caso de cassação de um parlamentar, mas sim do presidente da instituição, os 80 senadores, com exceção de Renan, não teriam condições de julgar o companheiro. "Todos nós sabemos que há uma corrida sucessória na Casa. É um absurdo nós, então, julgarmos", acrescentou a senadora. Ideli também defendeu a tese de que processos de cassação, a partir desse episódio, venham a ser julgados por outro órgão que não o Senado. A líder petista prometeu adotar providências para que alguém do partido possa subsidiar essa discussão - de modo a impedir que situações como essa se repitam no futuro. FRASESIdeli Salvatti (SC)Líder do PT no Senado"Todo mundo está livre, leve e solto para votar de acordo com sua consciência""Não posso dizer se (julgamento) é ou não legítimo. Mas há risco do vício pelos interesses em jogo""Todos nós sabemos que há uma corrida sucessória na Casa. É um absurdo nós, então, julgarmos"

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