PT e PL vão dividir comando do Porto de Santos

O PT e o PL paulistasanteciparam-se às negociações para formação da base aliada aogoverno Lula no Congresso - o que está represando as indicaçõespara o segundo e terceiro escalões da administração federal - eestão perto de fechar um acordo para dividir o comando daCompanhia Docas do Estado de São Paulo. A Codesp, que administrao Porto de Santos, é tradicional reduto de indicações do PMDB ede seu presidente, deputado Michel Temer. O acerto para definira presidência e três diretorias do porto é, até agora, a maisdelicada negociação de cargos no Estado. Como as Docas estão sob responsabilidade do ministro dosTransportes, Anderson Adauto (PL), a indicação dos liberais eradada como certa, mas o PT paulista não queria deixar o aliadomandar sozinho. O presidente deve ser trazido pelo PL, mas sódepois do aval dos petistas. Os partidos também devem dividir aescolha dos demais diretores. Os nomes ainda estão indefinidos."Como temos o ministério, temos uma preferência grande, mas aTelma de Souza (deputada e ex-prefeita de Santos) também tem deter preferência e vamos chegar a um entendimento", disse opresidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto. "Vamos simfechar um acordo", afirmou o presidente do PT, deputado JoséGenoino. Certo é que, dizem os petistas, os diretores ligados aoPMDB de Temer serão demitidos. A importância do porto está nopapel que pode desempenhar no estímulo às exportações. Em 2002,passaram por Santos quase 54 milhões de toneladas de carga, 26%de todo o comércio exterior realizado no País. Também por isso, o governo petista não pretende darcontinuidade, por enquanto, ao projeto de regionalização doporto, contrariando o desejo do governador Geraldo Alckmin.Entre os nomes em jogo para o comando do porto está RogérioGragnani Leite, ex-diretor-presidente da companhia, indicadopelo PL. Indicados por deputados petistas estão Roldão GomesFilho, tesoureiro do Sindicato dos Aquaviários, Rubens Fortes,ex-diretor da Codesp, e José Rodrigues, ex-assessor de assuntosportuários da prefeitura de Santos entre 1989 e 1996, nomepreferido de Telma. Ceagesp - Também na Companhia de Entrepostos e ArmazénsGerais de São Paulo S.A. (Ceagesp), os petistas têm certadificuldade para emplacar três diretores. O partido descarta aprivatização da empresa. A Ceagesp, por onde circulam por dia25% de toda a produção nacional de alimentos, terá funçãoestratégica no novo governo. A idéia do PT, ainda sem formatodefinido, é integrar o órgão ao programa Fome Zero. A atualdiretoria da empresa foi indicada pelos deputados Xico Graziano(PSDB), majoritariamente, e Delfim Netto (PPB). O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, não éfiliado a nenhum partido, mas tem trânsito com essas e outraslegendas. Por isso, o PT teme perder a direção da Ceagesp paraum nome de sua escolha pessoal. Tudo indica, porém, que apendenga já foi resolvida. Falta a confirmação oficial. Oministro parece ter concordado em nomear Valmir Pracedeli,indicado pelo deputado João Paulo Cunha para presidir o órgão. A ordem geral no PT, válida para os 639 órgãos daadministração federal em São Paulo, é a mesma que pauta anegociação no caso do porto. "Não podemos deixar que ospartidos aliados e nenhum político crie nichos próprios depoder. Essa é a determinação do presidente Lula e vale para todoo País", diz um petista de São Paulo. Ainda no Ministério dos Transportes, o PT reivindica ocomando da Infraero nos Aeroportos de Cumbica, Viracopos eCongonhas. Todos têm projetos de expansão com grande impacto nasrespectivas cidades de Guarulhos, Campinas e São Paulo,administradas pelo PT. Aparentemente, o acordo para que osprefeitos indiquem os titulares dos aeroportos já foi fechadocom o ministro Adauto e com o presidente da Infraero, CarlosWilson, do PTB.

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