PT do Rio fecha com Paes contra Gabeira e tucanos

Ida de Lula ao palanque, porém, não é definida; verde minimiza apoio ao seu adversário do PMDB e diz que vai ter os votos dos eleitores petistas

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2008 | 00h00

Com um discurso nacional de enfrentar os adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sem a presença do candidato derrotado, Alessandro Molon, o PT do Rio formalizou ontem o apoio ao concorrente do PMDB à prefeitura da capital, Eduardo Paes. A participação de Lula na campanha, porém, não foi assegurada. Paes esteve na sede do PT e preferiu falar em aliança com os governos estadual e federal para "tirar o Rio do isolamento", sem fazer menção à sucessão presidencial em 2010.Segundo um assessor do presidente, Lula ainda estuda uma forma de deixar clara a opção por Eduardo Paes. O caminho seria uma mensagem voltada para a questão administrativa, da importância de o Rio ter um parceiro do governo federal na prefeitura. O presidente não quer deixar a impressão de que perdoou Paes pelos ataques durante a CPI dos Correios, quando o candidato era deputado do PSDB. A mágoa de Lula e da primeira-dama, Marisa Letícia, com Paes é conhecida e comentada no Planalto. Na CPI, Paes cobrou investigação sobre investimento da Telemar na empresa Gamecorp, que tem como sócio Fábio Luiz Lula da Silva, filho de Lula e Marisa.Os petistas procuraram dividir o segundo turno no Rio em dois blocos: o dos partidos aliados do governo Lula, que estão com Paes, e o formado pelos oposicionistas em torno do concorrente do PV, deputado Fernando Gabeira, que tem candidato a vice do PSDB e recebeu apoio do DEM. O presidente regional do PT, Alberto Cantalice, disse que o PT ainda vai tentar apoio direto de Lula a Paes."Há um bloco liderado pelo presidente Lula e um bloco do ?demotucanato?. Estamos contra o tucano verde", afirmou Cantalice, referindo-se a Gabeira. "A prova de que Lula é a favor da aliança (com Eduardo Paes) é que fizemos a aliança. Agora, vamos trabalhar para o presidente participar", disse Cantalice.A implementação na capital de programas federais, como o Bolsa-Família e o Saúde da Família, foi um dos compromissos assumidos por Paes com os petistas, que querem ter no Rio uma vitrine do governo Lula. "Ninguém aqui esconde seu passado e sua história. Estão aqui pessoas que reconhecem seus erros, seus exageros e seus acertos", discursou o peemedebista. NIEMEYERFernando Gabeira dá prosseguimento hoje à estratégia de buscar apoio de personalidades do Rio e de líderes isolados, em lugar de partidos. No fim da tarde, o candidato do PV vai visitar o arquiteto Oscar Niemeyer, que no primeiro turno fez campanha para a candidata do PC do B, Jandira Feghali.Gabeira disse ontem que o presidente está certo em ficar fora da campanha no Rio. "O presidente foi salvo de uma armadilha, de uma cilada. Ele sabe que eu vou ganhar e eles iam atraí-lo para uma derrota, absolutamente desnecessária para o Lula", comentou.O deputado não deu importância à formalização do apoio do PT a Paes. "Vou ter a maioria dos votos dos eleitores do PT", afirmou. Gabeira voltou a fazer campanha na rua e escolheu a zona oeste, onde teve mau desempenho e ficou atrás de Paes e do candidato derrotado do PRB, Marcelo Crivella. O melhor desempenho de Gabeira foi nas zonas norte e sul, onde venceu o peemedebista com folga.O candidato do PV disse que os programas do horário gratuito de televisão serão um forte caminho de comunicação com o eleitor no segundo turno. Ele chegou a sugerir a redução do tempo de dez para cinco minutos, o que foi rejeitado por Paes.

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