PT do Nordeste decide cobrar mais espaço no governo Dilma

Governadores, deputados e senadores petistas entregaram uma extensa lista de pedidos ao presidente do partido José Eduardo Dutra

Vera Rosa, da Sucursal de Brasília

12 de janeiro de 2011 | 20h26

BRASÍLIA - Sem cargos de visibilidade na equipe de Dilma Rousseff, o PT do Nordeste decidiu reagir, cobrar mais espaço no governo e avisar que não aceitará "porteira fechada" para o PMDB. Em reunião realizada nesta quarta-feira, governadores, deputados e senadores petistas entregaram uma extensa lista de pedidos ao presidente do PT, José Eduardo Dutra, e prometeram seguir a ordem de Dilma de não dar cotoveladas em público.

 

"O PT do Nordeste está sub-representado no Ministério e é importante haver compensações no segundo escalão", resumiu o deputado Fernando Ferro (PE), líder do PT na Câmara. "Não existe essa história de Ministério ou estatal de porteira fechada. É possível dividir responsabilidades com o PMDB e outros aliados." No jargão da política, porteira fechada significa a indicação de todos os cargos por um mesmo partido.

 

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), saiu da reunião com Dutra fazendo piada. "Eu estava brincando de baralho, mas embaralharam minhas cartas e eu fiquei sem nada", disse Déda, numa referência à sua indicada para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, Maria Lúcia Falcón, que acabou não integrando a equipe de Dilma. Déda, porém, não se deu por vencido. "Como sobrou uma carta na minha mão, eu montei o meu ministeriozinho lá em Sergipe", brincou.

 

Na lista de objetos do desejo do PT estão empresas como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), hoje nas mãos do PMDB, e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), também na mira do PSB de Fernando Bezerra, ministro da Integração. O PT tenta manter o comando do Banco do Nordeste (BNB) e está de olho em diretorias regionais da Petrobrás e da BR Distribuidora.

 

Depois da aparente trégua entre o PT e o PMDB -- costurada pelo ministro da Casa Civil, Antonio Palocci --, o Palácio do Planalto pediu à cúpula petista para não criar caso pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). Motivo: a repartição deve ficar mesmo com um afilhado de Henrique Eduardo Alves (RN), líder da bancada peemedebista na Câmara. Alves foi o deputado que mais reclamou ao perder espaço na Saúde e disse ter levado "rasteiras" do PT.

 

Até agora, a Bahia é o Estado do Nordeste mais representado na Esplanada. O governador Jaques Wagner conseguiu emplacar Afonso Florence no Ministério do Desenvolvimento Agrário; Luiza Bairros na Igualdade Racial e Mário Negromonte (PP) em Cidades. Apesar de ser do PP, um partido que não compôs a frente de apoio a Dilma, Negromonte foi apadrinhado por Wagner.

 

"Antes de tudo, nós precisamos ter unidade interna e vencer a preliminar, para saber o que vai caber ao PT. Não adianta brigar por cargo", observou o deputado João Paulo Lima e Silva (PT), ex-prefeito de Recife. Na prática, porém, todos esperam a eleição para a presidência da Câmara e do Senado, em 1.º de fevereiro, para saber o desfecho dessa novela. "É justo que o Nordeste tenha mais espaço no governo pelos votos que deu à presidenta Dilma, mas ela também teve razão em segurar as nomeações. Não é bom criar mais tensão nesse momento", insistiu Fernando Ferro.

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