PT diz que vai reivindicar espaço dentro de governo

Na primeira reunião do Conselho Político do PT - formado pelo presidente interino, Marco Aurélio Garcia, e outros dirigentes da legenda - com o governo, o partido deixou claro que vai brigar para manter seu espaço e para orientar o projeto do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente em relação à política econômica. O partido quer que seja mais voltada para o desenvolvimento e menos para o ajuste fiscal. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 27, no gabinete de Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais, no Palácio do Planalto. "O PT vai reivindicar para si as peças que sejam mais coerentes para o projeto do segundo mandato, que deverá ser voltado para o desenvolvimento econômico, universalização da educação e mudanças no câmbio", disse a vice-presidente do partido, deputada Maria do Rosário (RS), que integra o Conselho Político. "Nós ainda não falamos de quais cargos o partido quer. Isso vai ser decidido pelo Conselho", disse ela. "Mas é claro que deverão ser postos que influenciem a política de desenvolvimento e a política econômica", afirmou a deputada. Fazem parte ainda do conselho político petista Joaquim Soriano, Jilmar Tatto, Renato Simões, Paulo Ferreira e Valter Pomar, todos da direção nacional do partido. A reunião, com local e horário marcado, foi parte da estratégia do partido de transformar as negociações entre governo e PT em encontros oficiais. "O PT quer que a relação com o presidente Lula seja institucional, com horário marcado e tudo. Achamos que isso torna mais fáceis as nossas reivindicações dentro do governo", disse ainda Maria do Rosário.Para o deputado Renato Simões, a reunião serviu para, institucionalmente, dar início às conversações com o governo por parte dos partidos que vão formar a coalizão. E, principalmente, porque o PT marcou posição em relação ao espaço que deverá ter no governo. "Quanto mais melhorarmos nossa relação com o governo, mais teremos condições de influenciar nas políticas de desenvolvimento e econômica e de assegurar o espaço do partido no governo". Para Simões, o eleitor que votou em Lula mostrou que deseja mudanças. E o PT está pronto para exigi-las.Maria do Rosário afirmou que o PT, por ser o partido do presidente da República e por ser o vitorioso na eleição presidencial, deve ser também o que dará a orientação política para a coalizão que o presidente Lula pretende montar. Essa coalizão deverá ter, entre outros partidos, PMDB, PC do B, PSB, PRB, PP, PTB e PR (Partido da República, resultado da fusão de PL e Prona). Outros, como o PDT e o PV, estudam a possibilidade de também fazer parte da frente pró-Lula no Congresso.No encontro, Marco Aurélio Garcia disse a Tarso Genro que pretende convidar os presidentes dos partidos aliados para uma reunião da coligação. Depois, o Conselho Político do PT também quer participar de um novo encontro, para falar da forma como o partido pretende se relacionar com os parceiros.

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