PT diz que queda de juros foi tímida e contraditória ao PAC

A Executiva Nacional do PT avaliou na noite desta segunda-feira, em reunião, que a queda da taxa de juros em apenas 0,25 ponto porcentual foi "tímida, insuficiente e contraditória" com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Seguindo recomendação do Palácio do Planalto, no entanto, os petistas preferiram não partir para o confronto público com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Em vez disso, o coro foi direcionado para elogios ao PAC. A ordem no encontro foi reduzir o potencial de conflito para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.A comissão política do PT, formada por dirigentes do partido, reúne-se na tarde desta terça-feira com Lula para reivindicar mais espaço no governo e reclamar do ritmo de queda dos juros. "Há uma falta de sintonia do Banco Central em relação ao esforço do crescimento", afirmou o deputado Maurício Rands (PT-PE). "A decisão acabou destoando do conjunto das medidas anunciadas no PAC", concordou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), disse haver a convicção, nas fileiras do partido, de que os juros podem ser mais baixos e a queda, mais rápida. Deu, porém, a deixa de como o PT tratará do assunto para o público externo. "Estamos preocupados com a influência da taxa de juros no crescimento, mas não vamos fulanizar esse debate", argumentou. Seu colega Fernando Ferro (PT-PE) foi no mesmo tom. "Não faremos isso, até porque o presidente do BC pode sair e entrar outro igual ou pior", ironizou.Ainda nesta terça, no encontro com Lula, a comissão política do PT reafirmará ao presidente o interesse em reassumir o comando dos ministérios de Saúde, hoje administrado pelo PMDB, e Cidades, pasta dirigida pelo PP. Atualmente, o PT controla 15 dos 34 ministérios. "Queremos manter as pastas que ocupamos e retomar os que perdemos", disse Ideli.AlopradosNa primeira reunião com a cúpula petista depois de reassumir a presidência do PT, no início do mês, o deputado Ricardo Berzoini (SP) conduziu o debate de forma a reduzir o desgaste para o partido e o governo. Até às 23 horas, a cúpula da legenda não havia posto em pauta, por exemplo, a instalação de comissão de ética para expulsar Oswaldo Bargas e Expedito Veloso. Os dois integram o time dos aloprados - termo usado pelo próprio Lula - que tentaram comprar um dossiê contra tucanos, em plena campanha eleitoral. Na época, Berzoini foi afastado da coordenação da campanha e da presidência do PT, mas a Polícia Federal o inocentou nas investigações. Ao contrário dos outros companheiros, Bargas e Expedito não se desfiliaram. A tendência da Executiva petista era recuar do ímpeto de punição já, a fim de empurrar o assunto para o 3º. Congresso do PT, em julho, quando haverá um acerto de contas interno sobre os métodos de direção que provocaram uma crise atrás da outra no partido. "Esse é um assunto de importância menor", amenizou Henrique Fontana. "A idéia central desse encontro é dar reforço ao PAC."Aldo RebeloDirigentes petistas também se surpreenderam com a declaração do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que disse não julgar equilibrado "nem para a democracia nem para o País nem para o próprio PT" a concentração de poder num único partido. O tom de confronto no embate ocupou a abertura da reunião da Executiva petista."Aldo cometeu uma injustiça com o PT, que sempre cedeu espaços para o PC do B e o PSB", reagiu o deputado eleito Geraldo Magela (DF), da facção Movimento PT, a mesma corrente do líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), que vai disputar com Aldo, na próxima quinta-feira, a eleição para a presidência da Câmara. "Além disso, é uma declaração inesperada vinda da boca de Aldo, um comunista que defende o partido chinês", ironizou Magela.

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