PT diz que em 10 anos Brasil saiu da neocolonização para a prosperidade

Partido divulgou cartilha em comemoração ao tempo que está na Presidência

Daiane Cardoso, Agência Estado

19 de fevereiro de 2013 | 19h51

SÃO PAULO - Para celebrar os 10 anos à frente do governo federal, o PT vai distribuir uma cartilha de 15 páginas na quarta-feira, 20, aos militantes que se reunirão em São Paulo com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nela, o partido ressalta o que chama de "crescimento sustentável" da última década, a mobilidade social e a distribuição de renda promovidas nos governos Lula-Dilma e que resultaram, segundo o PT, na "sensível prosperidade econômica e social" dos brasileiros.

Segundo o texto, no decênio que se iniciou em 2003, o Brasil "mudou de rota". "A Frente Democrática e Popular, integrada pelo PT e um grupo de partidos aliados, constituiu uma nova maioria política em que a inclusão social de todos os brasileiros se tornou almejada e alavanca básica do desenvolvimentismo", diz a cartilha.

O livreto intitulado "O Decênio que mudou o Brasil - PT 10 anos de governo: do povo, para o povo, pelo povo" foi elaborado com apoio do Instituto Lula e da Fundação Perseu Abramo. Segundo a cartilha, que traz as imagens de Lula e Dilma na capa, nos últimos 10 anos foi revertida a "decadência induzida pela rota da neocolonização neoliberal". Para o PT, "o povo voltou a protagonizar mudanças, está altivo, recuperando a autoestima".

Intitulando-se condutor de um projeto desenvolvimentista de um "decênio glorioso", em oposição a um "projeto neoliberal", o PT tenta na cartilha construir uma narrativa positiva de suas gestões sempre comparando os dois modelos. Além dos textos autoelogiosos, as páginas trazem tabelas e gráficos comparativos de indicadores econômicos e sociais dos períodos 1995-2002, ou seja, o governo de Fernando Henrique Cardoso, classificado como anos do "neoliberalismo", confrontando os dados dos anos 2003-2012, dos governos Lula e Dilma, definidos como de "desenvolvimentismo".

Na parte econômica, usando dados do Banco Central, Ipea e IBGE, o documento do PT aponta que a inflação acumulada no governo FHC alcançou 106,5%, ante 76,5% nos anos Lula-Dilma. Ainda segundo esses dados, o PIB per capita saiu de 6,4% para 27,6%, enquanto a relação dívida/PIB foi de 143,3% sob o governo tucano para -41,1% nos anos do PT à frente do Planalto. Ainda nessa comparação, a produtividade saiu de 0,3% para 13,2%.

Na área dos indicadores sociais, o texto ressalta a geração de 18,5 milhões de empregos do governo petista (contra 5 milhões dos oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso) e afirma que a gestão deu uma nova dinâmica econômica e vem colaborando para a redução da miséria. "O avanço da mobilidade social fundada na geração de empregos formais e nas políticas públicas de proteção e promoção social torna a pobreza diminuta, com cadente desigualdade na repartição da renda nacional jamais vista em toda História nacional. Ainda para a década de 2010, a perspectiva de superação da miséria e o rebaixamento dos padrões de desigualdade para níveis civilizados deve se confirmar."

Consenso. Na visão dos petistas, o País "permaneceu prisioneiro do estado crônico da semiestagnação" e submisso ao "receituário neoliberal imposto pelo Consenso de Washington", o que teria "apequenado" o Brasil e deixado 45 de cada 100 cidadãos na condição de pobreza absoluta. "Nos governos neoliberais, o Brasil convivia com a exclusão em alta, parecendo não ter condições de incluir a todos", critica o texto.

O documento cita o Bolsa-Família, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida como instrumentos de seu projeto desenvolvimentista. A cartilha petista afirma que seus governos foram capazes de expandir a produção interna e combiná-la com a distribuição de renda, estabelecendo assim um "patamar da desigualdade de renda somente compatível com os chamados países desenvolvidos".

Entre os feitos de 10 anos de governo, o PT destaca o aumento do salário médio real dos trabalhadores, a redução da taxa de juros e as políticas de redução de custos às famílias e às empresas, como a diminuição da conta de luz. "Aliado à política monetária e cambial, o Brasil consegue enfrentar a crise global buscando fortalecer o seu mercado interno, com a contínua redução da pobreza, da desigualdade de renda e do desemprego", ressalta.

Dizendo-se capaz de "repartir do bolo" e fazer o País crescer, o partido ataca o governo tucano por conceber um desenvolvimento nacional atrelado às "forças de mercado" e acusa o governo FHC de fazer privatizações "sem critérios e decência administrativa". "O resultado efetivo dos 12 anos consecutivos de governos neoliberais foi um Brasil aquém do seu potencial, conformado cada vez mais para os segmentos de maior renda e poder. Sob o comando dos beneficiários do projeto neoliberal, a regressão econômica e social avançou e condenou o País à condição de subordinado e dependente da globalização. O país ficou à deriva, dependendo dos interesses de plantão das economias capitalistas centrais", enfatiza.

Já em suas considerações finais, o documento atribui o "sucesso atual no enfrentamento do secular desequilíbrio social" à "ação organizada e disciplinada de um partido, da força obstinada de seus militantes e confiança e credibilidade de sua direção". Não há nenhuma menção ao processo do Mensalão julgado em 2012 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O evento desta quarta-feira marcará o início de uma série de 10 seminários que serão feitos em todo o País. O primeiro acontecerá em Fortaleza (CE) no dia 28 deste mês, com a presença do vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral. Hoje, em sua página no Facebook, o ex-presidente publicou os depoimentos do economista Luiz Gonzaga Belluzzo e do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas, sobre "os 10 anos de governo popular e democrático".

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