PT divulga nomes de quem assinou CPI

O PT divulgou hoje numa página na internet (www.informes.org.br) a lista com os nomes dos 174 deputados e 27 senadores que assinaram o requerimento pedindo a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar corrupção. A tática é apelar para o constrangimento, evitando, assim, um recuo dos que se comprometeram em apoiar a instalação da CPI. A oposição marcou para quarta-feira a apresentação do requerimento, mas teme que, até lá, aliados do Palácio do Planalto convençam os correligionários para que retirem as assinaturas."É uma forma de pressionar deputados e senadores para que não retirem suas assinaturas do requerimento, permitindo, dessa forma, que seja instaurado o processo de investigação", admitiu o líder do Bloco Oposição no Senado, José Eduardo Dutra (SE). "É uma estratégia nova; quem sabe, assim, a gente consegue evitar o que já ocorreu no passado?", acrescentou o deputado José Genoíno (PT-SP).A decisão de divulgar a lista com os nomes dos deputados e senadores a favor de uma CPI da corrupção foi tomada ontem pelos principais líderes do partido. A iniciativa vai em caminho contrário à tática usada pelos petistas durante toda semana passada, quando faziam mistério sobre as assinaturas, alegando que, se o governo soubesse dos nomes, tentaria os coagir."Resolvemos mudar porque há uma crise política e a opinião pública está muito interessada em saber como o político age", disse Genoíno. "Retirar assinatura pode ser avaliado como ato de covardia."A lista divulgada pela internet expõe os 201 nomes de senadores e deputados por ordem alfabética e Estado. Em títulos, em letras na cor vermelha viva, foram postos os nomes daqueles que "assinaram a lista", enquanto, em outra coluna, os que "ainda não assinaram a lista". Senadores e deputados também aparecem em colunas diferentes. Ao todo, são 15 páginas abertas a qualquer um que tenha acesso à internet."É o nosso famoso painel que, agora, é eletrônico", brincou Dutra. Genoíno afirmou que a oposição não calcula quantos parlamentares apresentaram requerimentos para retirar as assinaturas. "É impossível fazer esse cálculo porque o assunto está sendo tratado com muito sigilo pelos líderes", disse.Genoíno lembrou que episódios recentes podem ser usados como exemplo de recuo de aliados do Planalto que retiraram o apoio no último momento, como no esforço para a criação de uma CPI para investigar o grampo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (que levantou suspeitas sobre o fornecimento de dados privilegiados durante a privatização da telefonia) e outra sobre a reeleição (quando houve denúncias de compras de votos de parlamentares para que votassem a favor da emenda).

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