PT diverge sobre uso da crise de segurança em campanha paulista

O Partido dos Trabalhadores ainda não decidiu como tratar a responsabilidade sobre a crise de segurança pública em São Paulo nas eleições deste ano. Se por um lado o deputado federal Luís Eduardo Greenhalgh prefere não se valer do que chamou de "oportunismo", conforme orientou o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por outro lado o líder do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, Enio Tatto, defende o ataque ao PSDB. "Devemos ir para cima do PSDB porque eles não medem esforços para nos atacar", disse neste sábado, durante reunião da Executiva Estadual do Partido.O encontro - o primeiro do diretório estadual após a vitória do senador Aloizio Mercadante nas prévias para disputar o governo do Estado - se transformou em um debate sobre segurança pública, com críticas contundentes contra os 12 anos do governo do PSDB nesse setor. Mercadante, que chegou duas horas após o início dos trabalhos da Executiva, preferiu usar um tom mais ameno. Ele discursou por quarenta minutos no plenário da Câmara Municipal, iniciando sua explanação com temas como Educação e crescimento econômico do Estado de São Paulo. Mas, dez minutos depois, o assunto voltou a ser segurança.De acordo com Mercadante, a crise que São Paulo atravessa é a expressão do colapso da política prisional do Estado. Ele destacou a necessidade de mudança no tratamento dos presos (tratamento diferenciado) e propostas para integração, principalmente da inteligência das polícias. Também falou sobre a insegurança que se instalou no interior do Estado com a construção de presídios e a transferência da população carcerária para essas regiões. "São Paulo precisa de um governo caipira, que olhe para o interior, onde só existem prisões", afirmou.Questionado sobre a ausência do seu opositor tucano na disputa pelo governo do Estado, José Serra, no debate sobre a segurança, Mercadante disse que a manifestação do governador Cláudio Lembo (PFL) é clara. "O próprio governador tem manifestado o sentimento de solidão e de abandono por parte do PSDB. Não só do candidato, mas dos candidatos e demais lideranças do partido", disse.Ao comentar sua campanha ao governo paulista, Mercadante disse que o partido ainda articula a escolha do vice para sua chapa. Segundo ele, a idéia é fazer uma campanha integrada, no Estado de São Paulo, com a do governo federal. Essa integração, segundo Mercadante, terá o objetivo de compartilhar agendas de forma a ajudar a reeleição do presidente Lula em São Paulo.

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