PT diverge sobre apoio na disputa pela Câmara

A divisão da bancada do PT entre os candidatos que disputam a presidência da Câmara ficou evidente durante a reunião para debater as plataformas de campanha, no auditório do Espaço Cultural Zumbi dos Palmares. Logo no primeiro debate com o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), uma discussão constrangedora entre José Genoíno (SP), Paulo Delgado (MG) e o líder da bancada, Aloizio Mercadante (SP), revelou que a escolha do partido não será fácil.Genoíno, que defende o apoio ao líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), começou sua intervenção lembrando que os partidos minoritários na Câmara eram mais ouvidos nas gestões do Ulisses Guimarães (87 a 89), Ibsen Pinheiro (89 a 91) e Inocêncio (91 a 93) e a relação de convivência política entre a base de sustentação do governo e a oposição era melhor naquela época.Paulo Delgado, que defende o apoio ao líder do PSDB, Aécio Neves (MG), interrompeu da platéia a argumentação de Genoíno, lembrando ironicamente que Ibsen fora cassado. Os dois começaram uma pequena discussão. ?Eu sei onde você quer chegar?, afirmou Delgado, em tom de advertência. ?Eu não quero chegar a lugar nenhum, não vou discutir com você e, em respeito ao Severino e aos outros companheiros, eu encerro minha intervenção aqui?, respondeu Genoíno.Mercadante interrompeu os dois dizendo que eles deveriam guardar as opiniões para a discussão fechada da bancada. Depois do constrangimento, um ato falho do deputado Nelson Pellegrino (BA), divertiu a platéia. Ele se confundiu e chamou Severino de Inocêncio.Outro momento cômico ocorreu quando Severino questionou os privilégios de um grupo de deputados que sempre recebem benesses da Mesa da Câmara e citou como exemplo as viagens internacionais. ?Alguns deputados viajam em missões dez vezes mais do que outros?, comparou Severino, provocando risos entre os petistas que apontavam para o colega Paulo Delgado, um recordista em viagens e já foi convidado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para ser embaixador em Moçambique, mas não aceitou. ?Quem estiver prestes a ocupar embaixada nós vamos dar um respaldo maior?, contornou Severino, aderindo à brincadeira.

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