PT discute teses contra e pró-radicais

No segundo dia de reuniões da Comissão de Ética do PT, críticos e defensores dos radicais procuraram expor argumentos contundentes para expulsar ou preservar os parlamentares em julgamento.Para o jurista Dalmo Dallari, os parlamentares não podem perder o mandato porque não houve desrespeito aos três pontos básicos do partido: normas programáticas, princípio doutrinário e decisão de órgão dirigente. Para Dalari, há uma diferença de ponto de vista entre o que o governo quer e o que o povo deseja. Questionado se os radicais não estavam indo contra uma vontade do povo - a reforma da previdência - Dallari respondeu: "É preciso diferenciar entre a vontade da sociedade e a vontade da grande imprensa. A vontade da sociedade não coincide com aquilo que a grande imprensa diz que é a vontade da sociedade."Com o estatuto na mão, o secretário nacional de Organização, Silvio Pereira, mostrou trechos grifados que correspondem a direitos e deveres dos filiados. "O filiado deve acatar decisões partidárias, e no caso de Luciana Genro e Babá há um desacato a uma instância partidária porque a bancada já fechou questão sobre a reforma da previdência", disse ele. "Portanto, já há elementos para a punição."Já o sociólogo da Unicamp, Ricardo Antunes, defendeu os radicais. "A posição deles é de votar de modo coerente com a história do partido", argumentou. "Fernando Henrique Cardoso não implementou as reformas porque o PT fez oposição." Para Antunes, os chamados radicais podem argumentar que quem mudou de posição foi o partido no governo. "Ninguém pode ser punido por ter posição diferente", completou.O deputado Paulo Rocha (PT-PA), que foi depor como testemunha de oposição à Babá, afirmou que o partido precisa de disciplina e respeito à maioria. "Num determinado momento é preciso ter uma direção, uma maioria. Não se pode ficar eternamente divergindo". Rocha enfrentou um bate-boca com militantes na porta da sede do PT que o acusaram de não seguir o que as bases desejam. Para o deputado, Luciana Genro e Babá já tomaram a decisão de abandonar o partido, só estão esperando o melhor momento.O senador Eduardo Suplicy que chegou à reunião por volta das 1h30 da tarde, convidado pela senador Heloisa Helena, optou pela via conciliatória. "Quero colaborar com o debate para o entendimento entre as partes", disse Suplicy. "Heloisa Helena e Luciana Genro expressaram opiniões que correspondem a anseios da população, mas é importante a atitude delas de respeitar ministros e a presidência", completou. "A senadora Heloísa Helena tem atendido a esse meu pedido." O senador disse ainda que fará um apelo à comissão de ética para que busque o entendimento no sentido de preservar os radicais. "O PT crescerá se preservar essas pessoas".

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