PT discute programa em evento que lançará Dilma candidata

Ponto alto do evento será aclamação de Dilma Roussef como candidata do partido, no sábado.

Fabrícia Peixoto, BBC

18 de fevereiro de 2010 | 14h03

Cerca de 1,5 mil integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) se reúnem a partir desta quinta-feira, em Brasília, para discutir as diretrizes políticas que poderão ser adotadas pelo candidato do partido à sucessão presidencial.

O principal momento do congresso, porém, será no sábado, com a aclamação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, como candidata do PT ao Palácio do Planalto. A previsão dos organizadores é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja a seu lado nesse momento.

Um dos desafios da ministra será o de estreitar sua relação com o PT, partido no qual está filiada há apenas nove anos.

Um deputado da base governista disse à BBC Brasil que tanto Dilma como o PT terão de "digerir da melhor forma possível" o fato de a candidatura da ministra ter sido uma escolha pessoal do presidente Lula e não do partido.

Em seu discurso de encerramento, Dilma deverá mencionar a política econômica do governo Lula como "case de sucesso", deixando clara sua intenção em manter esse modelo.

Propostas

A mensagem tem dois objetivos, segundo um assessor próximo à ministra: servir como contrapeso à proposta mais "esquerdista" do PT, equilibrando o discurso; e o de forçar um embate com o PSDB nesse campo.

Entre as propostas do partido para as diretrizes de governo, que serão aprovadas nesta sexta-feira, estão uma maior participação do estado na economia, a defesa de uma comissão da verdade sobre o regime militar e o apoio à esquerda na América Latina.

Apesar de já ser tratada como a candidata do PT à presidência, a ministra não teve participação direta na elaboração das diretrizes do partido, segundo um de seus assessores.

A ideia é de que, nessa fase, as diretrizes de governo sejam tratadas apenas no âmbito do PT, sob a coordenação de Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência.

Nos últimos dias foram feitos "ajustes" na redação do texto, supostamente a pedido de Lula. O presidente estaria preocupado com um possível "desencontro" de algumas propostas, consideradas radicais, com seu próprio governo.

Nesta quinta-feira, Garcia minimizou a importância de mudanças no texto e disse que o programa "reproduz estritamente" as linhas políticas do governo Lula.

Participação

De acordo com essa mesma fonte, a participação da ministra deverá ser mais intensa a partir das discussões com os outros partidos aliados, o que deve acontecer a partir de abril.

O programa final da candidatura de Dilma Roussef será, basicamente, o resultado da junção das diretrizes do PT com a do PMDB, principal partido da base aliada.

Em discurso durante a convenção do PMDB, há cerca de duas semanas, o presidente do partido, Michel Temer (um dos cotados à vice-presidência na chapa da ministra Dilma), disse que os partidos terão de encontrar "pontos de convergência" entre os programas de governo.

Mesmo depois de saudada como candidata do PT à presidência, a ministra Dilma Roussef deverá ficar à frente da Casa Civil até o dia 3 de abril, data limite para a desincompatibilização.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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