PT deverá ficar de fora do comando da CPI da Petrobras

Decisão seria em resposta à resistência do Planalto em abrir mais uma vaga para PMDB na diretoria da Petrobras

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo,

22 de maio de 2009 | 19h32

Diante da resistência do Palácio do Planalto em abrir mais uma vaga para o PMDB na diretoria da Petrobras, o partido arma uma retaliação: o PT deverá ficar fora do comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pelos senadores para investigar supostas irregularidades na Petrobrás e na Agência Nacional de Petróleo (ANP). A cúpula do PMDB montava nesta sexta uma estratégia para ter o controle da CPI e, dessa forma, se cacifar para fazer indicações para Petrobras. Na terça-feira, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), deverá encontrar-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e propor que a relatoria da comissão fique nas mãos de um peemedebista. A ideia é fazer um acordo com a oposição e deixar a presidência da CPI para o DEM. Seria uma forma de tirar a pecha de "CPI chapa branca".

 

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"O ideal é que a CPI não perca a isenção e mantenha a credibilidade como instrumento de investigação parlamentar", afirmou Renan Calheiros. Hipótese mais provável é que o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), seja escolhido o relator e o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) fique com a presidência da comissão. Jucá anda aborrecido com o Planalto desde que a Infraero demitiu seu irmão e cunhada da empresa.

 

"Nem o líder Renan indicou os membros da CPI e muito menos conversamos com a oposição", desconversou  o líder Jucá. "Os nomes da CPI só serão definidos de terça para quarta-feira", afirmou. "Entendo que tenho uma boa relação com a base e até a simpatia de senadores aliados ao governo. Minha escolha para a presidência pode servir para tirarem da CPI o carimbo de governista", observou ACM Júnior.

 

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), afirmou ontem desconhecer qualquer acordo em relação ao comando da CPI da Petrobrás. "Não conversei com o líder Renan sobre esse assunto", disse o petista. Ele e o líder do PMDB não conseguem se entender sobre a tática a ser adotada em relação à comissão. Enquanto Renan é favorável a dividir o poder com a oposição, Mercadante defende que o controle da CPI fique totalmente nas mãos de governistas. O petista quer ser o presidente do inquérito, contra a vontade de Renan Calheiros.

 

A cúpula do PMDB rechaçou com veemência de que deseje controlar a comissão para poder reivindicar cargos na direção da Petrobrás, em especial a diretoria de Produção e Exploração, comandada pelo petista Guilherme Estrella. "Não é verdade que o PMDB queria algum cargo na Petrobras", garantiu Romero Jucá. "Nunca falei nada sobre esse assunto, nada sei sobre esse assunto", repetiu Mercadante.

Os líderes dos partidos de oposição foram procurados informalmente por Renan Calheiros em busca de acordo para a relatoria e a presidência da CPI da Petrobras. A relatoria é considerada o cargo mais vital do inquérito e, daí, a necessidade de pôr um fiel aliado.

 

ACM Júnior é considerado um senador de perfil conciliador e, na avaliação de governistas, "fácil de ser levado". A própria oposição reconhece que o governo, que comanda oito das 11 vagas na CPI, ficará em uma posição extremamente confortável com Jucá na relatoria e ACM Júnior na presidência. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento de criação da comissão de inquérito, também pleiteia a presidência da CPI, mas está ciente de que suas chances são nulas.

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