PT deve mudar estatuto e encurtar gestão Berzoini

Idéia de antecipar eleições internas é debatida desde que dossiê Vedoin veio à tona, abalando atual comando

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2030 | 00h00

Depois de mais de um ano discutindo a possibilidade de encurtar o mandato de sua atual direção, o PT deverá de fato alterar o seu estatuto e agendar novas eleições internas ainda este ano. Apesar de reconhecer que ainda existem algumas divergências em relação ao assunto, o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), afirma que as discussões ocorridas nos últimos meses demonstram que as principais correntes petistas devem endossar a proposta."Há uma tendência de a maioria querer fazer a eleição ainda este ano. Até porque os que defendem essa posição entendem que isso é melhor para pacificar o partido", afirma o presidente da legenda, acrescentando que a nova eleição deverá ocorrer no final de novembro ou no início de dezembro. De acordo com Berzoini, ainda existem algumas "polêmicas" em relação ao assunto, mas a mudança tende a ser ratificada durante o 3º Congresso Nacional do PT, que começa no dia 31 de agosto e vai até 2 de setembro, em São Paulo.O congresso é a única instância do PT com poder para alterar a data da eleição, já que a mudança exigirá também uma modificação das normas estatutárias da legenda. Pela regra atual, a nova eleição só deve ocorrer em 2008, quando termina o mandato de três anos obtido pela direção partidária, em 2005.SUCESSÃOJunto com a mudança de data, a tendência é de que seja aprovada uma nova duração para os mandatos, com o objetivo de evitar coincidência com eleições majoritárias. No ano que vem, por exemplo, a diretoria do PT teria de ser escolhida em meio às eleições para prefeito e vereador em todo o País.Apesar de já ser debatida há algum tempo no PT, a idéia de encurtar o mandato da direção atual ganhou força no ano passado, quando eclodiu o escândalo do dossiê Vedoin, no mês de setembro. Diante da notícia de que militantes do PT tentaram comprar um dossiê para prejudicar candidatos tucanos naquela eleição, a ala mais à esquerda do PT passou a sugerir a mudança nas regras internas, como forma de remover Berzoini do comando partidário.Passado o desgaste provocado pelo episódio, o antigo Campo Majoritário - grupo integrado por Berzoini e por nomes como o do ex-ministro José Dirceu - endossaram a idéia. Dentro da corrente, entretanto, a expectativa é de que Berzoini dispute um novo mandato à frente do partido."Isso acabou fazendo com que o antigo Campo Majoritário, por esse caminho torto, coincidisse com aquilo que nós defendíamos", comentou o secretário de Relações Internacionais Valter Pomar, representante do grupo Articulação de Esquerda. MOVIMENTOS SOCIAISEm meio aos preparativos para o seu congresso, o PT promoverá hoje um encontro com movimentos sociais, para debater temas semelhantes aos que serão discutidos nos eventos do congresso do partido.O encontro de hoje será aberto por Berzoini e contará com a presença de representantes de entidades como o Movimento dos Sem-Terra (MST), Central de Movimentos Sociais (CMN) e Central de Movimentos Populares (CMP).Amanhã, a Executiva Nacional petista reúne-se novamente, na sede do partido, na capital paulista, para julgar recursos de delegados apresentados nas etapas municipais do congresso, promovidas ao longo das últimas semanas.A pauta da reunião inclui, também, o debate da conjuntura política do País.

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