PT deve lançar Chinaglia à presidência da Câmara

A bancada do PT na Câmara está reunida para formalizar a candidatura do líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), à presidência da Casa. A decisão contraria a vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apostava no apoio do PT à reeleição de Aldo Rebelo (PCdoB). O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), presidente licenciado da legenda, afirmou que o lançamento do nome de Chinaglia abre o debate para que os demais partidos se posicionem no processo eleitoral da Câmara: "O PT não pode se omitir. Estamos oferecendo um nome para abrir o debate." Berzoini negou que a candidatura petista seja para minar a possibilidade de reeleição do atual presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). "Não há automatismo na possibilidade de reeleição", argumentou, dizendo que é importante saber qual Mesa Diretora deverá assumir no próximo ano. O deputado disse que o ideal seria compor a mesa com representantes de todos os partidos, inclusive os de oposição, para evitar disputa no plenário, a exemplo do que ocorreu em 2003, quando foi eleito o deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Berzoini disse estar disposto a procurar os partidos de oposição para debater a eleição da Mesa. O deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS) disse que a ala mais à esquerda do partido não tem restrições ao nome de Chinaglia e que, na reunião desta terça-feira, não deveria haver disputa interna. "É o momento em que a unidade se sobrepõe à idéia da disputa. Reconhecemos que não é possível repetir o episódio de 2005", disse, referindo-se à eleição em que o PT lançou mais de um candidato e, com isso, acabou dispersando votos e facilitando a eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Casa. O deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), ligado às correntes de esquerda do PT, afirmou que não há restrições ao nome de Chinaglia, mas defendeu um maior debate sobre a presença do PT na presidência da Câmara. Santiago disse considerar que o lançamento de Chinaglia é o resultado mais da vontade pessoal deste e da articulação de um grupo de São Paulo do que do desejo da bancada petista.

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