PT determina 'sacrifício total' para ganhar SP

Enquadrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT chegou à conclusão de que todo o sacrifício deve ser feito para eleger o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo, mesmo que seja necessário abrir mão de cargos no governo e ceder cabeças de chapa a partidos da base aliada, como o PMDB.

VERA ROSA, Agência Estado

09 de fevereiro de 2012 | 09h32

A análise será exposta hoje, com todas as letras, em reunião do Diretório Nacional. O encontro produzirá uma resolução política de exaltação ao governo Dilma Rousseff e ao PT, que vai comemorar 32 anos amanhã. O ato contará com a participação de Dilma, mas Lula não deve comparecer por causa do tratamento para combater um câncer na laringe.

"Em 2012, faremos tudo para desmanchar o ninho tucano em São Paulo e é isso o que importa para Lula", resumiu o deputado José Guimarães, que desistiu de disputar a liderança da bancada do PT na Câmara, a pedido do ex-presidente, para apoiar Jilmar Tatto. Não sem motivo: com influência em bairros da zona Sul e Leste, Tatto é visto como fundamental para a campanha de Haddad.

"Se ganharmos as eleições em várias capitais e perdermos São Paulo, o PT será derrotado", insistiu Guimarães. "Aliança eleitoral não é aliança ideológica e o apoio do Kassab ao Haddad é muito bem-vindo. O que está em jogo é a disputa com o PSDB, nosso principal adversário no projeto nacional", comentou o secretário de Assuntos Institucionais do PT, Geraldo Magela.

Na prática, a conveniência da aliança de Haddad com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, divide os petistas, mas a direção do partido não vai fazer disso um cabo de guerra e está convencida de que será aprovado o que Lula quiser. Ele argumenta que a vitória na capital paulista é essencial para conquistar o governo do Estado, em 2014, derrotando os tucanos.

Com o mapa eleitoral sobre a mesa de trabalho, Lula se movimenta em duas direções: em primeiro lugar, quer convencer o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) a não se lançar à sucessão de Kassab. Caso não seja possível, pretende atrair o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PSD), para vice de Haddad e é isso o que negocia com Kassab.

Levantamento do PT obtido pelo Grupo Estado mostra que em 74 das 118 cidades com mais de 150 mil habitantes - consideradas estratégicas para o partido - não deve haver prévia para a escolha de candidatos próprios às prefeituras. Em outros 27 municípios a decisão foi empurrada para encontros partidários, previstos para março.

Na maioria dessas cidades, porém, a tendência é apoiar nomes do PMDB, do PDT e do PSB, como no caso de Belo Horizonte (MG), onde Lula quer que o PT renuncie à candidatura própria e avalize a chapa pró-reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB). O postulante do PT é o atual vice-prefeito, Roberto de Carvalho, em pé de guerra com Lacerda, afilhado do senador Aécio Neves (PSDB).

"Eu vou até o fim", anunciou Carvalho. "Será um suicídio aprovarmos candidatura própria em Belo Horizonte", insistiu o deputado Reginaldo Lopes (MG), presidente do PT mineiro.

Há também impasses para a definição de candidaturas em Recife, Curitiba, Fortaleza, João Pessoa, Manaus e Macapá. Na capital do Paraná é provável que o PT apoie Gustavo Fruet (PDT). "Para mim, isso é um erro. A coligação tem de ser com o PT na cabeça", disse o deputado Doutor Rosinha (PR), um dos pré-candidatos do PT à Prefeitura.

A montagem dos palanques e as divergências sobre as alianças também estarão em debate no Encontro Nacional de Prefeitos e Deputados do PT, marcado para amanhã, em Brasília. "Vamos expor nossas inquietações e dar a largada da campanha eleitoral", afirmou o presidente do PT, Rui Falcão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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