Sidney Lins/Liderança do DEM
Sidney Lins/Liderança do DEM

PT desiste de apoiar Rodrigo Maia

Militantes questionaram proximidade com o deputado do DEM, o que levou o partido a desistir do aval ao candidato

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2016 | 21h38

BRASÍLIA - Pressionado por sua própria base, o PT recuou e desistiu de apoiar a candidatura do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara. A tendência, agora, é que o partido avalize Marcelo Castro (PMDB-PI), que também entrou na briga para ocupar a cadeira de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após a renúncia do deputado, atingido pela Operação Lava Jato.

Foi tensa a reunião da bancada do PT, nesta segunda-feira, para decidir o rumo do partido na sucessão de Cunha. De um lado, um grupo defendia o apoio a Maia - com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –  e, de outro, uma ala pregava a adesão a Castro, que foi ministro da Saúde e votou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Havia, ainda, uma pequena ala que preferia a candidatura de Fernando Giacobo (PR-PR).

“Nitidamente, o apoio a Rodrigo Maia não é majoritário na bancada”, resumiu o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA). O deputado Andres Sanchez (SP) saiu da reunião irritado. “Falam aqui que não se pode apoiar candidato nem partido que ficou a favor do impeachment. Então, não vamos apoiar ninguém. E depois, quem abraçou Maluf pode tudo”, afirmou ele, lembrando o acordo fechado na eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 2012, quando o então candidato do PT, Fernando Haddad, recebeu apoio do deputado Paulo Maluf, inimigo dos petistas.

Na tarde desta segunda-feira, após quase cinco horas da reunião, ninguém mais escondia o racha. “Não precisamos caminhar numa camisa de força antes da hora. Vamos cercando as vírgulas”, contemporizou o deputado Patrus Ananias (PT-MG), que foi ministro do Desenvolvimento Agrário de Dilma.

Ficou entendido por “cercar as vírgulas” que os deputados do PT vão agora procurar candidatos e partidos contrários ao impeachment de Dilma, na tentativa de  adotar uma posição comum na eleição que escolherá o novo presidente da Câmara, marcada para quarta-feira. O PC do B e o PDT, por exemplo, são dois partidos que se posicionaram contra a deposição da presidente. Apesar de divididas, porém, as duas legendas se mostram hoje mais propensas a apoiar Maia, em acordo que também passaria pelo PSDB do senador Aécio Neves (MG).

“Para nós, a prioridade é votar primeiro a cassação de Eduardo Cunha”, disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS). “Se isso não for feito, o processo de eleição será contaminado.” 

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