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Após prisão de Odebrecht, PT aprova resolução em defesa das empreiteiras

Sob a orientação de Lula, que mantém relação de proximidade com o empresário Marcelo Odebrecht, partido afirma em documento que está ‘preocupado’ com as consequências da operação da Polícia Federal e aponta ‘prejulgamento’ da Justiça

Ricardo Galhardo e José Roberto Castro, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2015 | 17h54

Atualizado às 22h13

São Paulo - Menos de uma semana depois da prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez pela Operação Lava Jato, o PT, em resolução política aprovada ontem pela sua Executiva Nacional, saiu em defesa das empreiteiras investigadas por desvios na Petrobrás. No documento, o PT defende pressa nos acordos de leniência que permitam o desbloqueio de recursos para as empresas e afirma que as empreiteiras são vítimas de “prejulgamento”.

“Preocupam o PT as consequências para a economia nacional do prejulgamento de empresas acusadas no âmbito da Operação Lava Jato”, diz o texto.

A Executiva argumenta que o bloqueio dos recursos vai causar demissões e afetar a economia, mas, segundo dirigentes, a defesa é um pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora não seja investigado pela Lava Jato, Lula tem proximidade com empreiteiras que estão na mira da operação, especialmente a Odebrecht, e está preocupado com a possível exploração política do caso.

Anteontem Lula se reuniu longamente com o presidente do PT, Rui Falcão. Segundo o dirigente, os dois conversaram sobre “essa ofensiva conservadora voltada contra” o partido.

Além de defender as empreiteiras, o PT acusa a Lava Jato de agir “fora dos marcos do estado democrático de direito”, gestar um “estado de exceção” e criticou a manutenção da prisão do ex-tesoureiro João Vaccari Neto, detido preventivamente desde o dia 15 de abril.

Reorientação. Depois de aliviar críticas ao ajuste econômico do governo Dilma Rousseff no 5.º Congresso do PT, a sigla mudou de rumo e, no texto aprovado ontem, defendeu uma “reorientação” da política econômica com a redução da meta de superávit fiscal, redução da taxa de juros e criação de um plano de proteção do emprego, a ser elaborado em conjunto com sindicatos. 

Com aval do ex-presidente Lula, o PT também decidiu ontem criar um conselho, cujos nomes serão definidos por Falcão, que será composto por estrelas petistas afastadas da direção partidária e integrantes de movimentos sociais. O objetivo é quebrar a rígida estrutura burocrática do partido e abrir a legenda para a participação de novos atores políticos. 

Além disso, serão criados cinco grupos de trabalho com missões específicas. Um deles terá a participação do próprio Lula e terá o objetivo de construir uma agenda nacional envolvendo as principais lideranças do partido. Lula prometeu voltar a viajar pelo Brasil. Outro grupo terá como objetivo preparar o PT para as eleições de 2016 resgatando bandeiras históricas da legenda. 

Falcão negou que as mudanças sejam uma resposta às declarações de Lula sobre o PT estar “velho” e “só pensar em cargos”, feitas na segunda-feira passada. “Acabamos de fazer uma reunião e vocês querem se referir a coisas de três, quatro dias atrás. Não vou falar sobre isso”, irritou-se o dirigente. 

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