PT deixa governo do PR após acusação de Requião a Bernardo

Governador disse que ministro pediu autorização para fazer pagamento superfaturado para empresa de logística

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo,

02 de março de 2010 | 12h44

A executiva do PT do Paraná determinou, em reunião que se encerrou no fim da noite da segunda-feira, 1º, que os filiados deixem o governo de Roberto Requião (PMDB). Entre os que deixam o governo estão os secretários da Agricultura, Valter Bianchini, e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto. Na mesma reunião, o partido optou por avançar nas conversas de aliança com o senador Osmar Dias (PDT), pré-candidato ao governo, enviando-lhe um documento com diretrizes básicas de um programa de governo.

 

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Apesar de reforçar que a participação no governo foi uma decisão correta e que há concordância com a maioria dos programas e políticas públicas, o PT justificou que o rompimento se deve a acusações feitas por Requião ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, de que pretendia fazer pagamento superfaturado à América Latina Logística (ALL) para que construísse um ramal ferroviário entre Guarapuava e Ipiranga. O ministro negou veementemente a acusação e disse que estudaria possível ação judicial.

 

"As dificuldades com o Requião são antigas, mas enquanto estava no campo político, com críticas ao Banco Central, aos juros, é normal, porque são partidos diferentes", disse o presidente regional do PT, deputado estadual Ênio Verri, que até recentemente era secretário de Estado do Planejamento. "Mas quando entra no ataque pessoal não tem como continuar mais." Ele afirmou que já conversou com Requião. "Foi um diálogo maduro e ficou acertado que continuamos como base do governo na Assembleia Legislativa", acentuou.

 

O secretário da Agricultura disse que tanto ele quanto a secretária de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior já haviam comunicado que deixariam o cargo no dia 31, coincidindo com a desincompatibilização de Requião. Agora Bianchini pretende fazer um acordo para que a antecipação não atrapalhe os projetos. "A dificuldade é apertar um calendário que estava definido", ressaltou. "Trabalhamos juntos e, na reta final, poderia haver diálogo para um consenso, mas a executiva é instância importante e, mesmo tendo pontos de crítica, vamos seguir."

 

O objetivo do PT é reforçar o diálogo com o PMDB com vistas ao apoio para a candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. "O PT nacional tem conhecimento da dificuldade com o PMDB do Paraná, mas acredito que o Requião vai apoiar a ministra Dilma", afirmou Verri. A direção regional do PMDB defende candidatura própria e Requião como candidato. Em nota, o PT afirmou que tem procurado conversar com o partido para uma candidatura forte no Estado. "Entretanto, as manifestações públicas do governador dificultam o avanço da aliança", registrou.

 

Há um grupo de peemedebistas que prefere a candidatura do vice-governador Orlando Pessuti, outros defendem aliança com o PSDB, que tem como pré-candidato o prefeito de Curitiba, Beto Richa, enquanto outros têm simpatia pela candidatura de Osmar Dias. "Nós estamos aqui para eleger a ministra Dilma, temos que continuar o diálogo para que, mesmo que haja palanque diferente, o discurso seja praticamente o mesmo", destacou Verri.

 

Ele disse que na reunião da executiva foi aprovado um documento entregue ao PDT com pontos que "distinguem um governo popular de um neoliberal". O apoio do partido à candidatura de Osmar Dias depende da aceitação desses itens, como a manutenção das estatais, investimento de 30% da receita em educação, amplo diálogo com os movimentos sociais e apoio à agricultura familiar e assentamentos.

 

Texto atualizado às 18h45 para acréscimo de informações

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