Dida Sampaio/AE
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PT defende saída temporária, mas Sarney resiste no cargo

Assessoria de Mercadante diz que senador e Ideli propuseram o afastamento de 30 dias, mas Sarney não aceitou

Andréia Sadi, do estadao.com.br e Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo,

01 de julho de 2009 | 15h18

O PT defendeu nesta quarta-feira, 1º, o afastamento temporário, de 30 dias,  do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do comando da Casa, segundo informou o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), via assessoria, ao estadao.com.br

 

A proposta foi levada a Sarney por Mercadante e Ideli Salvatti (PT-SC), líder do governo no Congresso, nesta manhã, em reunião reservada, mas o peemedebista não aceitou. No entanto, Sarney se manifestou favorável à criação de uma comissão de senadores para propor mudanças na administração do Senado.

 

"Como não houve acolhimento, vamos sentar com o presidente Lula para que o governo participe do esforço de reconstrução do Senado", disse Mercadante. O senador, após a reunião da bancada realizada agora à tarde, afirmou que o pedido de afastamento "não é uma exigência política" e que o partido não vai formalizar essa posição.

 

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O partido se junta às manifestações do DEM, PDT e PSDB, que ontem pediram que Sarney deixe a presidência até que todas as denúncias contra ele sejam apuradas. O PMDB, partido de Sarney, é o único que defende sua permanência no cargo.

 

Mercadante afirmou que Sarney não é o único responsável pela crise e criticou a postura do DEM que, publicamente, pediu o afastamento de Sarney. O senador do PT lembrou que o DEM vem ocupando por vários anos o cargo de primeiro-secretário da Mesa do Senado e que, portanto, tem responsabilidade sobre as irregularidades.

 

"Não vamos reconstruir (o Senado) punindo um senador", disse Mercadante. Ele afirmou que existe uma preocupação de seu partido em manter a aliança com o PMDB. "Não há governabilidade sem apoio do PMDB", disse. "Percebemos o quanto esta aliança é importante e percebemos a influência de Sarney junto ao PMDB", acrescentou.

 

Mercadante disse que a bancada petista pretende se encontrar amanhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a crise no Senado.

 

Desfecho

 

Aliados e interlocutores do presidente do Senado consideram que o desfecho sobre sua permanência ou não no cargo só será anunciada após o encontro de Sarney com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, previsto para esta quinta-feira, 2, de manhã.

 

Se se afastar, a oposição ocupa a cadeira da presidência na figura do tucano Marconi Perillo (GO), primeiro vice. Se renunciar à presidência, novas eleições vão ser convocadas e há sérias dúvidas se o governo conseguirá eleger um novo nome de sua base.

 

Há previsões de que, neste cenário, a cúpula do PMDB não ajudaria o presidente Lula nesta missão. No Senado, o governo tem apenas uma estreita maioria.

 

Nesta tarde, não haverá sessão no plenário do Senado. O primeiro vice-presidente da Casa, Marconi Perillo (GO) informou a alguns senadores que apenas abrirá a sessão para pedir o encerramento,em seguida, em decorrência da morte do deputado José Aristodemo Pinotti.

 

Numa rápida entrevista nesta quarta, Roseana Sarney  disse que Sarney está sendo "bode espiatório de uma situação que já acontece há muito tempo". Ela também disse que compete a seu pai analisar a situação e decidir se quer continuar à frente do Senado. Qualquer que for a decisão, acrescentou, a família estará do lado dele. Vários amigos e parlamentares chegam neste instante à residência de Sarney.

 

(Com Reuters)

 

Texto atualizado às 16h10

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