PT decide se lança candidato à presidência da Câmara

A bancada do PT na Câmara reúne-se hoje para decidir sobre o lançamento de candidatura própria à presidência da Casa. A idéia ganhou força no partido depois que o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) renunciou, na semana passada, à disputa pela presidência da Câmara em favor da candidatura do líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG). Em troca do apoio ao tucano, Severino vai ocupar a segunda vice-presidência da Câmara, caso o tucano seja eleito."O mais provável é que resolvamos lançar candidato próprio", disse ontem o líder do PT na Câmara, deputado Aloizio Mercadante (SP). "O PT vai ter que se posicionar porque é preciso tempo para trabalhar a candidatura própria", observou o futuro líder do partido, deputado Walter Pinheiro (BA). "E se a postura do partido for aguardar e não decidir nada, isso significará que o PT provavelmente vai apoiar um dos candidatos", completou o petista. "A tendência é o lançamento de uma candidatura própria", afirmou o deputado José Genoíno (SP).A idéia é lançar um candidato de oposição, que conte com os votos do PDT e PC do B, além dos do PT. Os petistas admitem, no entanto, apoiar a candidatura do líder do pefelista, deputado Inocêncio Oliveira (PE), à presidência da Câmara, caso o PFL decida votar no senador Jefferson Peres (PDT-AM), candidato à presidência do Senado. "O PT caminha para ter um candidato próprio na Câmara, mas poderemos reconsiderar nossa postura caso o PFL apoie o nosso candidato no Senado", argumentou o líder Mercadante.Na avaliação dos petistas favoráveis à eleição de Aécio Neves, o lançamento de candidatura própria de oposição beneficia o tucano. Aécio tem o apoio oficial de seis partidos (PMDB, PTB, PPB, PSB, PPS, além do PSDB), enquanto Inocêncio conta até agora apenas com o PFL. E uma candidatura de oposição praticamente tiraria as chances de Inocêncio Oliveira se eleger. Mas para os petistas que defendem a eleição de Inocêncio, a candidatura do PT irá favorecer o pefelista uma vez que aumentam as chances de um segundo turno. "Se o PT lançar um candidato próprio, muitos deputados que votariam no Aécio vão acabar votando na oposição´, sustentou Genoíno.Com a renúncia de Severino Cavalcanti, o PPB deverá dar 35 dos 47 votos de seus deputados para a candidatura do tucano. Dos 105 votos do PSDB, 95 são fiéis a Aécio. No PMDB, a expectativa é de que cerca de 80 dos 100 deputados do partido apoiem a candidatura tucana. Dos 23 votos do PTB, 15 deputados deverão seguir a orientação da liderança do partido e votar em Aécio Neves. O tucano também está contando com os votos dos 13 deputados do PSB e 11 do PPS, dois partidos de oposição que já formalizaram apoio à candidatura de Aécio Neves. Já Inocêncio Oliveira tem oficialmente o apoio dos 102 deputados do PFL e, por isso, vem cortejando fortemente os partidos de oposição, em especial os 56 votos de deputados do PT.

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