PT decide impor voto da Previdência à bancada

O diretório nacional do PT decidiu neste sábado fechar questão em torno da proposta a ser apresentada pelo relator da reforma da Previdência na Câmara, José Pimentel (PT-CE). O relatório deve propor a manutenção, para os atuais servidores, das aposentadorias integrais ? com o valor correspondente ao último salário da ativa ? e a paridade entre inativos e ativos no que diz respeito aos reajustes. A proposta deve excluir aqueles que entrarem no serviço público após a aprovação da reforma. Com o fechamento de questão, os parlamentares do PT ficam obrigados a votar a favor do relatório, que será apresentado nesta semana por Pimentel no plenário da Câmara. Caso contrário, ficarão sujeitos a sanções do partido que vão da advertência à expulsão. "Para que essa agonia toda? O PT sempre fechou questão e isso não é novidade. O problema é que não era hora e não havia a menor necessidade de se fazer isso", reclamou o deputado Walter Pinheiro (PT-BA). Ele e outros representantes dos setores de esquerda do PT desejavam remeter a discussão sobre a reforma da Previdência para a bancada no Congresso. "Chegamos até a propor um acordo para que o assunto fosse mais discutido no Congresso, mas eles não quiseram saber. Agora que a questão foi fechada não há nada que a bancada possa fazer", avaliou Pinheiro. Erro Para o deputado Ivan Valente (SP), o fechamento de questão na reforma da Previdência foi um grande erro. Segundo ele, a cúpula do partido quis tomar uma decisão de qualquer forma para demonstrar força na reunião, marcada para terça-feira, entre o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, o secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (SP), e os governadores Aécio Neves (PSDB-MG), Eduardo Braga (PPS-AM), Germano Rigotto (PMDB-RS), Wilma Faria (PSB-RN) e Marconi Perillo (PSDB-GO). "Eles querem chegar lá (na reunião) e dizer que têm carta branca para fazer qualquer acordo", avaliou Ivan Valente. "Nós queríamos o acordo, mas o Raul (como são chamados os Radicais da Unidade na Luta) foram mais radicais do que nós", ironizou ele, numa referência a uma das tendências do campo majoritário do partido. Cheque Como previa a senadora Heloísa Helena (AL) na manhã deste sábado, a lógica da maioria governista dentro da executiva se mostrou implacável. "No PT, a mobilidade de crachás é zero", conformou-se. "Como se pode fechar questão em cima de uma proposta que nem o governo, nem o Congresso, nem a sociedade nem o partido sabem direito qual é?", questionou. "Não dá para assinar um cheque em branco sem saber o que será votado nas próximas semanas", reiterou Valente. Para ele, a indefinição do governo no debate é uma indicação clara da necessidade de discutir melhor o assunto. A tese dos radicais chegou a sensibilizar até mesmo governistas como João Paulo Cunha. Embora não concorde com as críticas ao Planalto ? "o governo sabe muito bem o que está fazendo" ?, João Paulo disse, antes da divulgação da decisão do diretório, que achava melhor deixar a proposta em aberto. "O melhor para o PT neste momento é restabelecer seus princípios e a filosofia da reforma, mas ficar aberto para negociações que acontecerão durante a semana." O diretório nacional do partido volta a se reunir no domingo em São Paulo para votar as emendas da executiva para a reforma da Previdência. Serão aceitas propostas desde que não firam os princípios básicos do projeto enviado pelo governo ao Congresso.

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