PT decide encampar projetos para taxar grandes fortunas

Após encontro entre o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), e integrantes da bancada na Câmara, o partido decidiu nesta terça-feira que encampará no Congresso a votação de projetos que estabelecem a taxação das grandes fortunas. De acordo com o líder da legenda na Casa, José Guimarães (CE), esse foi o caminho encontrado pela sigla para financiar os projetos de mobilidade urbana sugeridos pela presidente Dilma Rousseff.

ERICH DECAT, Agência Estado

25 Junho 2013 | 20h05

"Nós vamos retomar a discussão dos projetos de taxação das grandes fortunas", afirmou Guimarães, após o encontro. "O colchão do governo é curto. Tem de ter financiamento da minoria dos serviços. Tem vários projetos tramitando. Tem uns dez do PT. Vamos juntar tudo isso e a partir daí discutir", acrescentou.

Apesar de a agremiação ainda não ter um texto final sobre da proposta, ele defendeu a taxação sobre o patrimônio e a aplicação de forma escalonada. Guimarães minimizou a possibilidade de a medida afastar o empresariado do PT. "Afinal de contas, eles (os empresários) têm de ajudar em alguma coisa. É só o poder público? O momento é outro, temos de buscar uma saída", disse.

Na reunião, parte dos integrantes da bancada demonstraram a Falcão descontentamento com o afastamento de Dilma do partido. Segundo alguns dos presentes, nem nos momentos de crise, ela busca a legenda para um diálogo. As medidas anunciadas nesta segunda-feira, 24, por Dilma, por exemplo, só foram conhecidas pela maioria por meio da imprensa.

Apesar das queixas de parte da bancada, o líder do PT na Câmara tentou pôr panos-quentes dizendo que a legenda apoia os cinco "pactos" divulgados pela presidente. Entre eles, está a discussão da reforma política pelo Congresso. "O PT é absolutamente favorável (à votação da reforma). Não vamos discutir a forma. Essa discussão é o meio mais curto para inviabilizar a proposta", afirmou.

Autocrítica

A reunião desta terça-feira junto o presidente nacional do PT também serviu para a sigla fazer uma autocrítica sobre o atual momento. "O PT tem de se renovar. Patrocinar uma revolução interna. Os mecanismos de consulta de mobilização estão superados. Acho que temos de fazer uma revolução também interna no PT", disse Guimarães. "Renovemos antes que seja tarde", concluiu.

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