PT decide convocar militância contra ''''direita e imprensa''''

Em reunião da Executiva, participantes denunciam articulação para antecipar debate eleitoral

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

Depois das vaias recebidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e após o assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia ter sido flagrado comemorando a notícia de que uma falha técnica poderia ter provocado o acidente da TAM, o PT decidiu encampar novamente a tese de que virou alvo de uma ofensiva da mídia e da oposição. Os dois episódios foram apontados ontem, durante reunião da Executiva Nacional petista, em São Paulo, como exemplos de uma suposta articulação entre a imprensa e os adversários políticos, com o objetivo de antecipar o debate eleitoral de 2008.Em uma resolução de quase duas páginas, o PT fez diversas acusações à mídia, citada diversas vezes no texto. Em uma delas, diz o texto: "A oposição, articulada com setores da mídia, está ?subindo o tom? nos ataques ao governo e ao PT, tendo em vista tanto as eleições de 2008 quanto as eleições de 2010.""A escalada de ataques sinaliza que a campanha de 2008 já começou, campanha que faz parte da guerra que a oposição de direita trava contra nós, tendo em vista tentar reconquistar a Presidência da República", prossegue. Para completar, o documento indica que "a grande mídia privada é, ao mesmo tempo, instrumento e Estado maior dessa campanha".Essa avaliação foi complementada pela tese de que a suposta articulação entre oposição e mídia se arrasta desde o escândalo do mensalão e não perdeu força. "Os ataques não conseguiram alterar, até o momento, o apoio majoritário da população ao presidente da República. Mas é um equívoco achar que isso não possa vir a acontecer."De acordo com participantes do encontro, a determinação do presidente da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP), foi para que o PT aproveite o seu congresso nacional, no final de agosto, para alinhar o discurso e rebater o ataques. O secretário de Relações Internacionais, Valter Pomar, indicou ao final do encontro que o PSDB, em especial, receberá o contra-ataque.Ao comentar a crise aérea, Pomar afirmou que as responsabilidades pelo caos aéreo têm sido atribuídas ao governo do PT, enquanto o modelo de agências reguladoras vigente foi montado no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Quem inventou esse modelo de agências reguladoras? Isso foi feito no governo FHC", afirmou.Berzoini deixou a reunião rapidamente, sem falar com a imprensa, o que inspirou uma brincadeira do líder petista na Câmara, Luis Sérgio (RJ). "Ele podia ter me esperado para me dar uma carona ao aeroporto", disse.SOLIDARIEDADESeguindo a tese de que o partido tem sido alvo da imprensa, a Executiva petista decidiu formalizar o apoio manifestado há vários dias a Marco Aurélio, filmado comemorando com gestos obscenos a notícia de que o acidente da TAM em São Paulo poderia ter sido resultado de um problema na aeronave. O assessor, que é também vice-presidente do PT, reafirmou na reunião de ontem que não teve a intenção de desrespeitar as vítimas do acidente e chegou a manifestar a interlocutores a insatisfação com o fato de alguns petistas não o terem apoiado.A deputada Maria do Rosário (RS), por exemplo, disse há alguns dias que considerou o gesto "lamentável". Apesar de integrar a Executiva petista, ela não esteve presente na reunião de ontem. Ficou acertada no encontro a veiculação de uma nota de solidariedade a Marco Aurélio. Mas, até o início da noite, o partido ainda não havia divulgado o texto. TRECHOS DO DOCUMENTO"A escalada de ataques sinaliza que a campanha de 2008 já começou, campanha que faz parte da guerra que a oposição de direita trava contra nós, tendo em vista tentar reconquistar a Presidência da República""A grande mídia é instrumento e Estado maior dessa campanha"

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