PT decide apoiar PSB na reeleição do prefeito de BH, Marcio Lacerda

Petistas também vão 'sugerir' que os socialistas rejeitem a participação do PSDB na coligação

Marcelo Portela, da Agência Estado,

25 de março de 2012 | 18h55

BELO HORIZONTE - O PT decidiu neste domingo, 25, em votação com ânimos acirrados e direito até a empurra-empurra, apoiar a candidatura à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB). No entanto, o apoio será acompanhado de uma "sugestão" para que os socialistas rejeitem a participação do PSDB na coligação. Em Minas, o PSB faz parte da base de apoio do governador tucano Antonio Anastasia e a direção socialista já indicou que vai aceitar a exigência do PSDB, de participar formalmente da aliança e da coordenação de campanha.

A tese prevaleceu sobre a proposta de condicionar o apoio petista à exclusão dos tucanos da coligação com um placar apertado. Dos 479 delegados que votaram no processo, 255 (53%) optaram pela aliança incondicionalmente.

Ao defender sua posição favorável à proposta vencedora, o ex-ministro Patrus Ananias lembrou que também é preciso "pensar no plano nacional, na posição da Dilma e do Lula". "Não quero o PSDB e minha posição é muito clara. (Mas) é possível avançar essa aliança com o PSB", afirmou. Os socialistas integram a base aliada do governo federal e o PT quer manter esse apoio para a disputa presidencial de 2014.

Um dos dirigentes do PT mineiro lembrou ainda que a decisão em Belo Horizonte também pesa para as negociações com o PSB em outras capitais, principalmente São Paulo, onde os petistas buscam o apoio socialista para a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad. "Isso (troca de apoios) não é explícito, mas também é levado em conta", observou.

Um dos principais defensores da candidatura própria do PT caso os tucanos sejam aceitos na aliança pelo PSB, o vice-prefeito Roberto Carvalho se mostrou decepcionado com o resultado e avaliou que, com a participação do PSDB, o maior problema será convencer a militância petista a aderir à campanha. "Tivemos 47% dos votos e o pessoal não vai participar", alertou.

Já o presidente do diretório mineiro do PT, o deputado federal Reginaldo Lopes, ressaltou que, apesar de não vetar, a proposta vencedora neste domingo também é contra uma coligação com a oposição ao Executivo federal. O texto aprovado pelos delegados "reitera a não participação nessa coligação de partidos políticos que se opõem ou venham a se opor ao governo da presidente Dilma Rousseff". "É um veto político, não um veto legal", disse.

Erro. Defensor da coligação que elegeu Lacerda em 2008, quando o socialista teve como padrinhos políticos o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ministro Fernando Pimentel (PT), Lopes disse que o partido errou e que a aliança "despolitizou" o apoio. "Deixamos entender que o Aécio era um bom moço que negociava com o PT. Mas ele é só uma roupagem nova de um projeto falido", disparou. E, para o deputado, "quem defende a candidatura própria (do PT) quer entregar a prefeitura para o Aécio Neves", já que outros partidos da base de Dilma, como o PCdoB, também já declararam apoio à candidatura socialista.

O deputado federal Miguel Corrêa Júnior, um dos cotados para ser candidato a vice de Lacerda - o que será definido em encontro do PT em 15 de abril -, também considera que o partido se "equivocou" em 2008 porque "a hegemonia no governo hoje é do PSDB" e o Executivo municipal "não avançou em vários aspectos que pensamos que poderia ter avançado". Mas, para ele, é possível fazer um novo acordo para que retomar a "importância e o protagonismo" da legenda.

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