PT de Pochmann dá principal cartada para vencer disputa em Campinas

Dilma e Lula farão comício pelo candidato no maior colégio eleitoral do interior de São Paulo

Ricardo Brandt, de O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2012 | 17h59

O PT dará neste sábado, 20, sua principal cartada na campanha de Márcio Pochmann à prefeitura de Campinas para tentar derrotar o PSB e o PSDB, no maior colégio eleitoral do interior de São Paulo. A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva subirão no palanque ao lado do candidato, a uma semana das eleições do segundo turno. O petista teve 39% das intenções de voto, contra 45% do adversário Jonas Donizette (PSB), na pesquisa Ibope divulgada no início da semana.

Dilma ficou de fora da campanha em Campinas no primeiro turno para evitar problemas com o PSB, aliado no governo federal. O partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é coligado na disputa local com o PSDB, do governador Geraldo Alckmin. Tanto Campos, como Alckmin - nomes cotados para as eleições presidenciais de 2014 - atuaram diretamente na formação de alianças e nos rumos da campanha de Jonas.

Eles foram para as ruas com o candidato, gravaram para os programas eleitorais e pediram voto nos dois turnos.

A pedido de Lula, que indicou pessoalmente o nome de Pochmann (ex-presidente do Ipea) para a eleição, Dilma incluiu Campinas na agenda de visitas do segundo turno, depois do expressivo crescimento do PSB no dia 7. A cidade é a única, fora a capital, em que ela participará de eventos nesse segundo turno em São Paulo.

Nos últimos dois dias, a campanha de Pochmann turbinou o anúncio do comício com Dilma e Lula em seus programas e nas inserções diárias, para atrair o maior número de pessoas ao Largo do Rosário, no centro.

Dilma também gravou declaração de apoio a Pochmann para seus programas de segundo turno. Seguindo a mesma linha adotada nas declarações de Lula - usadas a exaustão na TV e no rádio -, a presidente afirma que já trabalhou com o candidato no governo federal e associa seu nome aos grupos que criaram programas que são marcas do PT: o Bolsa Família, os Centros Educacionais Unificados (CEUs) e o Bilhete Único.

"Márcio Pochmann trabalhou comigo e com o presidente Lula. Conheço de perto a sua competência", afirma a presidente. "Márcio será o melhor prefeito da história de Campinas. Ele tem todo o meu apoio e peço que tenha o seu", pede a presidente.

Estratégia. Escolhido por Lula para disputa em Campinas, após o partido se envolver no maior escândalo de corrupção da prefeitura, durante o governo Hélio de Oliveira Santos (PDT), Pochmann é professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), considerado quadro técnico do partido e nome politicamente desconhecido na cidade.

A estratégia foi desvincular o candidato do PT do grupo político do ex-vice-prefeito petista Demétrio Villagra, que acabou preso e cassado por suposto envolvimento com o Caso Sanasa - um esquema de desvios de recursos da empresa de água da cidade denunciado pelo Ministério Público, que levou 11 pessoas para a cadeia, derrubou dois prefeitos e terminou com 28 processados por formação de quadrilha.

Para isso, a campanha colou a imagem de Pochmann a Lula e Dilma durante todo primeiro turno, com um comício e declarações de apoio gravadas do ex-presidente. A presença constante de ministros do governo federal no lançamento de programas de governo também serviu para cacifar sua imagem.

Como resultado, Pochmann iniciou a disputa em julho com 1% das intenções de voto e terminou o primeiro turno com 27% dos votos válidos, contra 47% do adversário Jonas Donizette - que durante quase todo primeiro turno apresentava chances de vitória já no dia 7. Na primeira pesquisa Ibope dessa segunda etapa, divulgada na segunda-feira, 15, Pochmann apareceu tecnicamente empatado com Jonas, 39% contra 45% (a margem de erro é de 4 pontos).

Resposta. Como resposta para tentar minimizar o apoio da presidente, o candidato do PSB colocou no ar nesta sexta-feira, 19, um programa eleitoral em que afirma que Dilma é a candidata de "todos os campineiros". "Democrata como ela sempre demonstrou ser, Dilma não vai dar as costas para Campinas", afirma o narrador. "Que coisa mais antiga ficar falando que só com ele (Pochmann) o governo federal vai investir aqui. Esse tipo de apelação pode até ter funcionado no passado, na boca de Villagra e de outros do PT, mas hoje não funciona mais não", completa.

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