PT de Mato Grosso decide expulsar Serys

Alegação é que ex-senadora teria feito campanha para candidato de coligação rival

Fatima Lessa, especial para O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2011 | 20h20

CUIABÁ - A Comissão de Ética do diretório estadual do PT em Mato Grosso recomendou a expulsão da ex-senadora Serys Marli Slhessarenko por "infidelidade partidária". Inconformada com a decisão, que ainda precisa do crivo da executiva regional, a ex-parlamentar disse estar "incrédula" e promete recorrer à direção nacional da legenda.

 

A Comissão de Ética da executiva estadual decidiu recomendar a expulsão de Serys, sob a alegação de que ela teria feito campanha para um candidato de coligação rival à da legenda. A ex-senadora nega.

 

A expulsão é mais um capítulo do racha no PT de Mato Grosso, surgido na campanha da eleição passada. Serys queria ser candidata à reeleição, mas foi preterida na disputa interna e perdeu a vaga para o então deputado Carlos Abicalil. Ao ser derrotada nas prévias do PT, Serys acusou o colega de partido de traição e não incluiu o nome nem o número de Abicalil em seu material de propaganda - ela tentou uma vaga na Câmara. Passada a eleição, ambos ficaram sem mandato: Serys foi a sexta mais votada do PT, que conquistou quatro cadeiras, e Abicalil ficou em terceiro na corrida ao Senado.

 

"Minha história não condiz com essa decisão, afinal, são 23 anos de partido e 20 de mandatos sem nenhuma advertência", afirma Serys. Embora afirme que não abrirá mão de permanecer no PT, a ex-senadora reconhece que está difícil reverter a situação. "Vou lutar com todas as possibilidades para permanecer no PT."

 

Procurados, integrantes da direção nacional da sigla preferiram não comentar o caso, justamente porque a ex-senadora ainda pode recorrer. O parecer da comissão será votado pela executiva regional do partido, composta por 47 membros.

 

Punição. O deputado Ságuas Moraes disse, através de sua assessoria, que trabalha pela unidade do partido. Para ele, a expulsão é uma pena muito severa. Ságuas Moraes disse que deve haver punição, mas que não precisa ser expulsão.

 

Serys e Abicalil pertencem a correntes diferentes dentro do PT. A maioria da executiva do partido em Mato Grosso está hoje alinhada ao ex-deputado.

 

O grupo de Abicalil pediu a expulsão de Serys alegando que ela fez campanha para o ex-procurador Pedro Taques (PDT), que não era da coligação e acabou sendo eleito.

 

A ex-senadora nega ter feito campanha para o adversário. Os adversários de Serys chegaram a alegar que os filhos da ex-parlamentar pediram votos para Taques. Ela argumenta que não tem influência sobre a atuação política de seus filhos, todos "adultos".

 

Texto alterado às 22h31 para acréscimo de informações

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