PT de BH lança desafeto de prefeito na disputa eleitoral

Um e-mail da direção do PSB informando que não haverá coligação proporcional fez a direção do PT romper a aliança pela reeleição do prefeito de Belo Horizonte, o socialista Marcio Lacerda. Por 11 votos a quatro, a executiva municipal petista decidiu neste sábado lançar o vice-prefeito e presidente do partido na capital, Roberto Carvalho, desafeto declarado de Lacerda, para disputar contra o ex-aliado.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

30 de junho de 2012 | 19h11

Parte dos petistas mineiros, porém, não descarta uma intervenção da executiva nacional, hipótese que Carvalho acredita estar "garantida" que não ocorrerá. "Será feito o que a (executiva) nacional decidir", disse o ex-deputado federal Virgílio Guimarães, que acompanhou a reunião representando a direção nacional petista.

Roberto Carvalho descarta a intervenção porque, segundo ele, foi o PSB que rompeu o acordo ao negar a aliança proporcional. Os socialistas também fizeram convenção ontem, mas a decisão foi da cúpula do partido.

No e-mail que chegou ao PT no início da convenção, assinado pelo presidente municipal do PSB, João marcos Grossi, os socialistas confirmam a candidatura de Lacerda com o deputado federal petista Miguel Corrêa Júnior como vice. "O PSB BH decidiu também lançar chapa própria para a eleição de vereadores", diz.

O texto ainda "reafirma sua convicção com a manutenção da aliança" que ajudou a eleger o prefeito em 2008, capitaneada pelo ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), então prefeito da capital e governador de Minas. E finaliza agradecendo ao "apoio já manifestado pelo PT, confiante na reedição da nossa aliança".

"O PSB rompeu o acordo de forma no mínimo desagradável e desrespeitosa", avaliou Roberto Carvalho, em meio a gritos de apoios de partidários. Nos bastidores, a informação é de que integrantes do PSDB, principalmente Aécio, tenha pressionado Lacerda para não ser feita a coligação entre PSB e PT para o Legislativo. "Tudo indica que houve essa pressão. O Walfrido já havia garantido que haveria a coligação proporcional", disse Carvalho, referindo-se a Walfrido Mares Guia, presidente do PSB mineiro.

O pré-candidato lembrou o rompimento entre PT e PSB para as eleições municipais de Fortaleza (CE) e Recife (PE) e ressaltou que, em nenhum dos casos, houve intervenção da direção nacional petista. "Uma intervenção só é justificada se o diretório (municipal) descumprisse o estatuto. Isso não ocorreu", observou o deputado estadual Rogério Correia (PT), partidário da candidatura própria.

Agora, segundo Carvalho, haverá o trabalho de tentar unir outros partidos em torno da candidatura de Carvalho. Neste sábado, ele já recebeu ligações da direção do PRB e PR. E disse que também vai procurar o PMDB, que, pela manhã, decidiu lançar o deputado federal Leonardo Quintão candidato a prefeito. "O PMDB já tomou a decisão, mas isso não impede que os procuremos", declarou.

No mesmo horário da convenção petista, o PSDB também realizava seu encontro para a decisão do rumo do partido na eleição municipal na capital. O partido decidiu manter apoio a Lacerda e deixou em aberto a decisão sobre coligação proporcional, assim como a possível indicação de um candidato a vice do socialista.

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