PT culpa PSDB e DEM pela crise

Discurso visa a neutralizar efeitos do cenário econômico na sucessão presidencial em 2010

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2008 | 00h00

De olho na sucessão presidencial em 2010, o PT já prepara o discurso eleitoral para neutralizar eventuais impactos da crise financeira sobre uma candidatura petista. A estratégia é empurrar para os principais adversários nas próximas eleições, o PSDB e o DEM, a responsabilidade por dificuldades econômicas que venham a surgir nos próximos dois anos. "A crise tem pai e mãe. Ela é uma crise do modelo neoliberal, daqueles que no Brasil defenderam as idéias de desregulamentação do Estado, ou seja, o PSDB e o DEM. E esse debate o PT vai fazer. Os neoliberais perderam", disse ontem o secretário nacional de Comunicação do PT, Gleber Naime, no desfecho do seminário da ala do PT Construindo um Novo Brasil. O grupo é liderado pelo ex-deputado José Dirceu.A crise mundial e os efeitos dela na disputa eleitoral foram a tônica do encontro, realizado no fim de semana em um hotel em São Roque, no interior paulista. Foram três dias de palestras com a participação de petistas de peso, como a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, e o presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini. Se a artilharia será pesada contra os "neoliberais brasileiros", na mesma intensidade, mas em sentido oposto, virão os elogios à conduta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do caos financeiro mundial. "Na nossa reflexão todas as medidas tomadas até agora pelo governo Lula foram corretas", destaca Naime. JUROS MENORESOs petistas fecharam questão também sobre algumas cobranças a serem levadas a Lula. "O governo precisa fazer uma combinação: diminuir a taxa de juros, diminuir superávit (primário) e jogar mais dinheiro para financiar a economia popular, principalmente na habitação e no saneamento", disse o secretário, ao resumir as conclusões tiradas do seminário.A discussão sobre o nome do próximo presidente do partido ficou esvaziada. O chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, é o mais cotado hoje para assumir o posto no biênio 2009-2010. O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), classificou o discurso petista de "desnorteado e primitivo". "O que fez com que o Brasil esteja em melhor condição hoje para enfrentar essa crise foi a nossa política, com o Plano Real, o Proer, a Lei de Responsabilidade Fiscal", rebateu.O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, ironizou: "Isso mostra que nem eles estão acreditando no presidente Lula quando ele diz que a crise é só uma marolinha."

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