PT critica PSDB por ação em reintegração de posse

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, criticou hoje a operação deflagrada ontem pela Polícia Militar de reintegração de posse da comunidade Pinheirinho, área de 1,3 milhão de metros quadrados em São José dos Campos (SP). Em vídeo, divulgado no portal do partido, o dirigente petista classificou como "violenta" a ação policial que, segundo ele, teve a conivência do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

23 de janeiro de 2012 | 15h09

"Eu quero expressar minha solidariedade às famílias que foram violentamente expulsas do Pinheirinho, depois de uma ação violenta promovida por ordem da Justiça Estadual e com a conivência do governo estadual, o governador Geraldo Alckmin", afirmou.

A comunidade foi desocupada após decisão judicial que determinou a reintegração de posse do terreno, que pertence à massa falida da empresa Selecta S/A, do empresário Naji Nahas.

Na operação policial, foram usados dois helicópteros, carros blindados e cerca de dois mil soldados do Batalhão de Choque. O presidente nacional do PT lembrou que havia um acordo em andamento com os moradores do acampamento e considerou que famílias foram desalojadas "sem necessidade". "E o que é pior: com uso de extrema violência", criticou.

Ele relatou que, inclusive, um ouvidor do governo federal foi ferido na ação de reintegração. "Havia um acordo em andamento, mas precipitou-se a ocupação com a utilização de força desnecessária." Em nota, assinada pelo presidente da sigla, o PT afirma que a operação policial "frustrou" os esforços para uma saída pacífica no Pinheirinho. "O terreno poderia ser objeto, conforme proposta formal do governo federal, de uma ação conjunta dos vários entes federados."

A nota ressalta ainda que a prefeitura de São José dos Campos, atualmente sob o comando do PSDB, "rompeu unilateralmente as negociações" e condena "fortemente" o que chama de "intransigência" e "insensibilidade social" dos governos municipal e estadual.

"A prefeitura de São José dos Campos, o governo do Estado de São Paulo e o Tribunal de Justiça de São Paulo devem responder pelas consequências de seus atos nessa situação lamentável", defende. "O que choca é que o mínimo de civilidade e credibilidade se espera na relação administrativa entre entes da federação."

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ontem que teve garantias do governador de São Paulo de que seria pacífica e segura a ação policial no Pinheirinho.

A bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo também divulgou nota na manhã de hoje na qual repudia "veementemente" o rompimento das negociações por um desfecho pacífico na comunidade. "A bancada petista vê, além de precipitação, a total ausência de sensibilidade social na ação articulada pelo governador de São Paulo e pelo prefeito de São José dos Campos, ambos do PSDB", afirma.

"Mais uma vez, presenciamos o aparelho estadual sendo usado em favor do interesse de poucos e em detrimento do sofrimento da população mais pobre", acrescenta.

Mais conteúdo sobre:
políciaPinheirinhoPT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.