PT contraria Lula e diverge sobre licença de Sarney no Senado

Pela primeira vez, líder do PT vai a plenário defender peemedebista e aliança com PMDB; Suplicy reitera licença

02 de julho de 2009 | 16h08

Desde o aprofundamento da crise do Senado, há uma semana, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), subiu a tribuna do plenário, pela primeira vez, para defender o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP) e a aliança com o PMDB. Em discurso, Mercadante disse que a crise não se resolverá achando que há apenas um responsável e ressaltou que a bancada não propôs processo de renúncia do peemedebista. Mercadante explicou que a bancada avaliou a licença temporária como melhor solução para assegurar um clima político que permitisse avançar nas mudanças no Senado. "Era uma proposta construtiva. Fizemos com cuidado", afirmou. A proposta de afastamento foi recusada por Sarney.

 

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Já o senador Eduardo Suplicy reiterou o pedido para que o peemedebista se afaste do cargo até o fim das investigações sobre as denúncias, reveladas pelo Estado, que envolvem um neto de Sarney e os atos secretos da Casa. "Tal atitude demonstraria um espírito de isenção muito significativo", afirmou Suplicy segundo a Agência Senado. "Se estivesse no lugar de Sarney, acataria esse conselho".

 

Na última quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma operação de "enquadramento" do PT para salvar o aliado após o partido se juntar à oposição e pedir o afastamento de Sarney. A intervenção de Lula fez o PT voltou atrás. Às 22h15 de ontem, ao deixar a casa de Sarney, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) selou o tom da resistência à renúncia: "Foi importante a decisão do PT (o recuo). O que está em jogo é 2010".

 

A bancada do PT vai se reunir com Lula em um jantar no Palácio da Alvorada hoje à noite, quando acertará a relação do partido com o PMDB e com o presidente do Senado. O encontro de Lula com Sarney ficou para amanhã, depois que Lula tiver deixado claro a necessidade de a bancada petista apoiar Sarney em nome de um projeto maior para o governo e para o partido.

 

Aliança com o PMDB

 

Ainda em seu discurso de defesa do presidente do Senado, Mercadante afirmou: "Nossa convicção é que a crise não se resolverá achando apenas um responsável. Muitas pessoas passaram por esta Mesa", disse ele referindo-se ao fato de que as irregularidades identificadas no Senado foram constatadas nos últimos quinze anos. O líder disse que a governabilidade só é possível com a parceria do PMDB. "Não há governabilidade sem aliança com o PMDB. Precisamos de aliança para reconstruir a sustentação política do governo".

 

Frisou que a bancada não abrirá mão do compromisso de fazer mudanças administrativas no Senado. Explicou que ao lançar a candidatura do senador Tião Viana (PT-AC) à Presidência do Senado, a bancada do PT tinha como objetivo a mudança na Casa. "A bancada do PT já identificou que o continuísmo não seria uma boa opção. Advertimos que a continuidade de diretores, como o Agaciel (ex-diretor-geral, Agaciel Maia) e Zoghbi (o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi), com imensa responsabilidade orçamentária e administrativa, geravam distorções inaceitáveis", disse.

 

(Com Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo, e Nélia Marquez, da Agência Estado)

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