PT consegue aprovar projetos polêmicos na Câmara de SP

O governo municipal conseguiu aprovar os quatro projetos de lei que provocaram polêmica na Câmara Municipal nas últimas sessões. Com placar justo ou pouco acima do necessário, o Executivo poderá cobrar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) progressivo, reduzir de 30% para 25% o índice de gastos com educação e usar os 5% restantes em programas sociais como Renda Mínima e Bolsa-Escola. O quarto texto votado ontem de madrugada dispõe sobre a urbanização da Avenida Água Espraiada, na zona sul.A votação mais apertada, não por acaso deixada para o fim da sessão coruja, foi a da emenda à Lei Orgânica do Município (LOM) que altera o índice de investimentos em educação. O governo obteve o mínimo de 37 votos para aprovar um substitutivo ao projeto original, redigido pouco antes da votação.Para garantir a aprovação, o líder do governo, José Mentor (PT), pediu a inversão da pauta, jogando o texto para o fim da sessão, e esperou o vereador Toninho Paiva (PFL) voltar à Casa. O parlamentar deixou a Câmara de madrugada e só voltou pela manhã.Os vereadores rebeldes do PT e do PPB, Carlos Giannazi e Edivaldo Estima, pela ordem, mantiveram seus votos contra e a favor da emenda, desobedecendo novamente a orientação dos respectivos partidos. "Fui coerente até o fim", disse Giannazi, cuja punição será decidida pelo diretório municipal do PT na quinta-feira. "Se eu for suspenso, será um prejuízo para o meu trabalho e para o PT."Estima afirmou ontem que não voltou a conversar com a Executiva do PPB, mas garantiu que vai procurar o presidente nacional do partido, Paulo Maluf, para expor seus argumentos. "Não vou me explicar para o partido. Vou me explicar para o Paulo Maluf."Os quatro projetos precisaram de substitutivos para serem aprovados em segunda votação, ontem. "Isso não descaracterizou nossas propostas de jeito nenhum. Eles aprimoraram os projetos e alargaram a base de apoio", disse Mentor. Para o líder do PSDB, Gilberto Natalini, o governo obteve votos de vereadores "que jamais votariam no PT". "É uma tática de convencimento difícil de ser explicada."

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