Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

PT confirma ação contra Gilmar Mendes

Em publicação nas redes sociais, o presidente do partido afirmou que está 'tomando as várias providências judiciais cabíveis' para responsabilizar o ministro do STF

Raquel Brandão, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2015 | 16h51

Nesta segunda-feira, 21, Rui Falcão confirmou em suas redes sociais que o PT vai entrar com uma ação judicial contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A publicação enaltece a decisão do STF, que julgou inconstitucional o financiamento empresarial de candidatos e partidos nas eleições, e afirma que o partido está, nesta semana, “tomando as várias providências judiciais cabíveis” para responsabilizar o ministro.

Em nota publicada na última quinta-feira, Falcão afirmou que o partido analisava a possibilidade de processar Gilmar Mendes, a quem acusou de falar “impropérios” durante a sessão do STF que julgou a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) interposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra o financiamento de empresas às campanhas eleitorais. “A série de impropérios assacada por Mendes durante as longas horas que durou seu voto ofende até os demais ministros que integram a Suprema Corte. Infelizmente, esses destemperos anti-PT têm se tornado usuais nas falas do ministro, tanto nas sessões do STF quanto nas entrevistas que costuma ofertar aos mais diversos meios de comunicação.”

Após participar de uma mesa de debate do Grupo de Estudos Tributários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ministro reagiu à ameaça de processo afirmando que "seria bom que eles processassem todas essas estruturas que eles montaram.” Gilmar Mendes também atribuiu ao PT a crise que abala o País. “Estamos nesse caos por conta desse método de governança corrupta.Temos hoje como metodo de governança um modelo cleptocrata.”

A votação no STF terminou em 8 a 3 pela proibição do financiamento empresarial de campanha. Apenas Gilmar Mendes, Teori Zavascki e Celso de Mello, decano da Corte, votaram pela constitucionalidade das doações de empresas.  Durante a leitura de seu voto, que durou cerca de cinco horas, Mendes afirmou que a ação  é uma tentativa de usar a Corte para "atuar no processo democrático à revelia do Congresso".

O ministro sugeriu que há uma tentativa de fazer a reforma política pela via judicial, orquestrada com o PT, para manutenção do partido no poder. "O partido consegue captar recurso na faixa dos bilhões continuamente tendo como base os contratos de uma estatal do tamanho da Petrobrás - e só estamos falando da Petrobrás - e passa a ser o defensor, defende bravamente o julgamento da inconstitucionalidade da doação de empresas privadas. Fico emocionado em saber, me toca o coração", disse.

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