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PT condena violência do MST

O presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), deixou de lado a costumeira diplomacia e deu um duro recado aos líderes do MST. "Não contem com o partido para nenhuma aventura política ou medida fora da lei", avisou. "Pela força e pela violência, o MST não terá nosso apoio em nenhum momento: vamos repelir, repudiar e condenar."As afirmações de Dirceu foram feitas na segunda-feira à noite, na saída do programa Roda Viva, da TV Cultura, onde ele esteve para acompanhar a entrevista do presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT).O deputado deixou claro que o PT não atuará mais como "bombeiro" para apagar incêndios ou intermediar negociações com o governo federal. "Estamos em ano eleitoral e não vamos partidarizar essa questão", disse.Existe grande descontentamento na cúpula petista em relação ao comando dos sem-terra. Tudo piorou depois de sábado, pois o prejuízo eleitoral que a invasão da fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso causa à candidatura de Lula é considerado certo. Agora, no momento em que o PT tenta "vender" uma imagem de maior moderação, a corrida é para reduzir o tamanho do estrago.Dirigentes do partido já perceberam que o MST tem feito ações de maior envergadura em anos eleitorais. Foi assim na última campanha presidencial de 1998 e nas eleições para as prefeituras, em 2000. Convencido de que Lula é prejudicado por carregar o "fantasma da invasão", sempre ressuscitado perto de eleições, o partido decidiu agir.Em janeiro, após algumas reuniões, houve um entendimento: temendo mais desgaste, o partido apelou para que o MST não desse corda ao ativista francês José Bové no 2º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Foi atendido. Ao contrário do que ocorreu na primeira versão do fórum, Bové e o MST não invadiram lavoura de soja transgênica."Se não tomarmos cuidado, vamos ficar sempre na defensiva e não conseguiremos descolar o nome do PT do MST", afirmou o deputado Doutor Rosinha (PR). Na sua opinião, a legenda deve tentar nova conversa com o comando do movimento. Apesar de não acreditar que as invasões sejam suspensas, o deputado acha importante saber com antecedência os planos da organização."Acontece que os atos de um não são respaldados pelo outro, embora haja solidariedade mútua", disse o prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Palocci, coordenador do programa de governo de Lula. Palocci garantiu que, de qualquer forma, as atitudes dos sem-terra não mudam a posição de defesa da reforma agrária, um dos pontos importantes da plataforma petista.Mesmo no PT, porém, há quem desconfie do "oportunismo político" de algumas iniciativas do MST. As relações entre as duas siglas estão estremecidas e só os mais radicais defendem todas as suas ações sem questioná-las. "A receita para os movimentos sociais é lutar, pois somente assim a voz dos pobres é ouvida", disse o deputado Adão Pretto (RS), ligado ao MST.Em Brasília, cardeais petistas insistiam na necessidade de descobrir a origem dos líderes da invasão da fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG). Motivo: observavam que a ação de sábado fora primária e parecia ter sido feita de propósito. A começar por um detalhe: bebidas alcoólicas não são permitidas nos acampamentos do MST. Durante a ocupação, no entanto, todo o estoque de álcool existente na casa principal foi consumido: uísque, cachaça e vinho. E, na falta destas bebidas, vinagre.

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