PT cobrará do Planalto mais assentamentos

Os números da reforma agrária no primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff, divulgados ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo, causaram irritação entre os deputados do Núcleo Agrário do PT. Eles vão se encontrar nos próximos dias com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, para discutir o assunto e, sobretudo, reclamar do baixo índice de famílias assentadas. Segundo o Incra, foram realizados 20.021 assentamentos em 2011 - o mais baixo índice registrado nos últimos 16 anos.

ROLDÃO ARRUDA, Agência Estado

07 de março de 2012 | 09h11

"É preciso mudar esse quadro. Queremos que o governo dê prioridade à reforma agrária", disse o coordenador do Núcleo, Valmir Assunção (BA). Ele acredita que todos os 14 deputados integrantes do núcleo vão participar do encontro.

Assunção também disse que os parlamentares desejam discutir o conceito de reforma agrária defendido pelo atual governo, que enfatiza a recuperação e o apoio técnico aos assentamentos existentes - para que se tornem mais produtivos e possibilitem a geração de renda para as famílias assentadas. "Só existe reforma agrária se houver redistribuição de terra. Essa é a principal demanda. As outras questões devem ser resolvidas por meios das políticas sociais que já são desenvolvidas pelo governo federal, como o programa Minha Casa Minha Vida", disse Assunção.

Resultados

O parlamentar explicou que os integrantes do núcleo preferiram discutir o tema na Casa Civil, em vez de irem ao Ministério do Desenvolvimento Agrário ou ao Incra, por acreditarem que isso dará mais resultados. "Achamos melhor conversar diretamente com a ministra que coordena os programas de governo", afirmou.

Além dos números, que indicam queda no volume de assentamentos, os parlamentares petistas mais simpáticos à causa dos sem-terra e da agricultura familiar, não gostaram das explicações do presidente do Incra, Celso Lisboa Lacerda, "Ele disse que um dos fatores que explicam esse resultado é a queda na demanda por lotes de terra. Mas não é isso que está ocorrendo. Só na Bahia existem mais de 25 mil famílias acampadas, debaixo da lona preta, à espera de assentamento", afirmou.

Na avaliação do deputado baiano, o que diminuiu foi a capacidade do Incra para assentar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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