PT buscará sua unidade no Congresso

Os ministros e secretários do governo do PT terão de buscar, a partir de agora, maior participação na vida partidária e um entrosamento permanente com os parlamentares petistas em busca da unidade do partido no Congresso e para fortalecer o projeto político estratégico, com vistas às eleições de 2004. Esse foi o resultado de uma reunião de emergência, que durou duas horas e terminou por volta das 23 horas de ontem, dos 27 ministros e secretários (com status de ministros) petistas num hotel de Brasília. O encontro foi convocado pelo presidente do PT, deputado José Genoíno (SP), e pelo secretário de Organização da legenda, Sílvio Pereira, em função dos desencontros dos últimos dias entre setores do PT e o Palácio do Planalto, os quais têm criado dificuldades entre os aliados no Congresso. A estratégia de entrosamento adotada na reunião envolve a busca de uma sintonia das agendas dos ministros com o partido no Parlamento, além de reserva de espaço para contatos deles com deputados estaduais e vereadores durante as viagens. ?O sucesso do governo é um processo estratégico do qual nós não abrimos mão?, afirmou Genoíno, ressaltando que o PT precisa estar coeso para ter responsabilidade na defesa do governo. No encontro de ontem à noite, segundo o presidente do PT, deputado José Genoíno (SP), foi traçada uma ofensiva para a defesa do governo e para fazer com que o partido atue ?como um time?. Na verdade, Genoíno reuniu os ministros em busca de um reforço para enfrentar as dificuldades internas, que estão despontando na área política a cada dia, com risco de prejudicar os projetos do governo. Em relação a esse ponto, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, minimizou eventuais acirramentos de divergências. ?O PT é um partido que sempre combinou democracia com disciplina e, na hora de votar, todos votam juntos?, afirmou Palocci, lembrando que até agora o PT votou unido nas reformas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O encontro de ontem foi também mais uma tentativa de harmonização do discurso do governo Lula, especialmente na defesa das reformas constitucionais (só faltaram os ministros Jaques Wagner, do Trabalho, e Humberto Costa, da Saúde). Também participou da reunião o tesoureiro do partido, Delúbio Soares. A falta de sintonia entre os comandantes do governo e os políticos aliados no Congresso se intensificou nesta semana. ?Só agora vou saber qual é o motivo da reunião?, disse ao chegar o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. O ministro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro, o que ficou menos tempo, limitou-se a dizer: ?Estamos fazendo uma análise da conjuntura e promovendo uma troca de idéias entre os ministros.? Ao final do encontro, Genoino explicou que ?a reunião foi para prestar solidariedade ostensiva ao governo e ao PT?. Outro dos presentes, o ministro Ricardo Berzoini (Previdência), comentou que se chegou à conclusão ?de que os ministros precisam de tempo para a vida partidária?. Além de tentar implantar um discurso único na equipe do PT, outra preocupação já manifestada internamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva refere-se à ?inoperância? e ?lentidão? de algumas áreas do governo. Hoje, por exemplo, o presidente Lula fará essa cobrança nas reuniões do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e da Câmara Setorial de Políticas Sociais. Há ainda a preocupação maior do presidente, segundo seus interlocutores, que é tentar conciliar a austeridade da política econômica com o discurso histórico do PT.

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