PT atropelou aliados na Câmara, diz dirigente do PSB

O PSB, aliado de primeira hora do governo Lula, está cada vez mais insatisfeito com o comportamento dos petistas na disputa pela presidência da Câmara. Um de seus principais dirigentes, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, vice-presidente da legenda, acusa o PT de atropelar os parceiros para impor a candidatura do líder Arlindo Chinaglia (PT-SP). "A unidade da coalizão está em risco", advertiu Amaral, cuja legenda apóia a candidatura à reeleição do atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP). "Por mais que se tente negar, isso afeta a coalizão. O PT passou por cima dos aliados em nome da aritmética".O ex-ministro afirmou que o lançamento de Chinaglia quebrou o acordo entre os aliados. "Tendo a coalizão um candidato (Aldo) que atendia a todos os requisitos, se tentou a construção de outro. É a tendência hegemonista do PT. A dificuldade que o PT tem ainda hoje, apesar de todas as experiências, de conviver com os aliados", disse. Na avaliação de Amaral, a indicação de Gustavo Fruet (PSDB-PR) não representa a terceira via. "É candidatura de oposição, não terceira via", frisou. "Pode ser uma terceira candidatura, mas é segunda via".ConstrangimentoO ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou ao mandato para evitar a cassação por quebra de decoro e não se reelegeu, entrou na terça-feira em campanha pela eleição de Chinaglia. Conhecido como "rei do baixo clero", por ter representado os interesses dos deputados sem grande força política, mas com apetite por benesses parlamentares, ele prevê a vitória de seu candidato. "Não tenho a menor dúvida. Chinaglia será o presidente. Ele já está muito consolidado".Chinaglia procurou relacionar o ex-deputado ao adversário Aldo. "O grupo de Severino se dividiu", disse, acrescentando que mesmo quem não é deputado tem direito de opinar.

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