PT aposta em Lula para manter Prefeitura do Recife

Secretário que nunca disputou eleição vai enfrentar quatro oposicionistas

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2008 | 00h00

Em uma disputa sem favoritos, a força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser decisiva na eleição do sucessor do prefeito do Recife, João Paulo (PT). A disputa se travará entre um candidato que nunca disputou uma eleição, o secretário de Planejamento Participativo, João da Costa, e quatro oposicionistas - o ex-governador Mendonça Filho (DEM) e os deputados Raul Henry (PMDB), Carlos Eduardo Cadoca (PSC) e Raul Jungmann (PPS).O atual vice-prefeito, Luciano Siqueira (PC do B), corre por fora, sob o argumento de que o seu partido pretende ampliar a representação na Câmara Municipal e a sua candidatura poderá absorver aliados desgostosos com a escolha de João da Costa, sem prejuízo ao PT.A fragilidade eleitoral da candidatura João da Costa - imposta por João Paulo ao partido - é compensada pelo forte palanque, integrado pelo prefeito, que concluirá o seu segundo mandato, pelo governador Eduardo Campos (PSB) e pelo presidente da República. Eles são detentores de forte aprovação no Recife, com Lula disparado na frente - a avaliação de bom e ótimo do governo federal atinge o patamar dos 70%.Do lado da oposição, embora Mendonça e Cadoca tenham pessoalmente expressão eleitoral - Mendonça teve mais de 43% dos votos do Recife no segundo turno da última eleição para governador e Cadoca já disputou a prefeitura -, falta-lhes o suporte de uma aliança política local. Henry é o candidato do ex-governador e senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e está aliado ao PSDB. Ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, Jungmann conta com o apoio do PV. Todos os quatro pré-candidatos já integraram uma mesma aliança, liderada por Jarbas.REBELDEEleitorado conhecido como rebelde, o recifense já derrotou candidatos amparados por fortes padrinhos. O peso eleitoral de Lula é minimizado por Mendonça Filho, que não aposta na nacionalização da eleição.Em disputa municipal, de acordo com o ex-governador, as pessoas estão mais interessadas no dia-a-dia, na rua alagada, no posto de saúde. Por isso, Mendonça Filho acredita que as propostas e a credibilidade dos candidatos pesarão mais na hora do voto.O prefeito escolheu o secretário de Planejamento Participativo sem consultar o partido e há meses se dedica a dar visibilidade a João da Costa, que o acompanha e ocupa espaço em todos os eventos da prefeitura. O grupo petista Unidade na Luta, que defendia a candidatura do deputado Maurício Rands, chegou a propor prévias para a escolha do candidato do partido, mas desistiu para não provocar estragos. No entanto, a divisão interna, mesmo mascarada, persistiu.Hoje, o governador de Pernambuco participa de um ato de adesão à candidatura de João da Costa.

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