PT apoia Tarso, que é criticado na Itália

Nota do partido defende ministro, alvo de ataques de colega italiano

Efe e Luciana Nunes Leal, Brasília e Roma, O Estadao de S.Paulo

02 de fevereiro de 2009 | 00h00

A bancada do PT na Câmara divulgou ontem uma nota na qual defende o refúgio concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, ao extremista italiano Cesare Battisti, alegando ser um caso de "soberania nacional". Foi uma resposta às declarações do ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, para quem Tarso é um "político sul-americano ligado à esquerda radical". Na nota, os deputados do PT, partido do qual Tarso faz parte,afirmaram que ele "exerceu atribuição privativa que lhe é assegurada pela Constituição Federal e o fez tomando em consideração o conjunto da legislação brasileira sobre o assunto". "Agiu também dentro dos parâmetros da legislação internacional observada pelos mais diferentes países", completa a nota. Em entrevista publicada ontem pelo Il Giornale, Frattini disse que Tarso é "o típico político sul-americano ligado às áreas mais radicais da esquerda, que vê em Battisti não um terrorista ou um assassino, mas um guerrilheiro da ?liberdade?". O ministro concluiu: "É uma lástima que (Tarso) faça tanto para não lembrar que Battisti atuava de modo criminoso em um país democrático". Em 13 de janeiro, Tarso anunciou a decisão de dar o refúgio a Battisti, o que suspende o processo de extradição movido pela Itália contra o extremista no Supremo Tribunal Federal (STF). O italiano foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios, enquanto era militante do Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Em reposta à decisão de Tarso, o governo italiano chamou para consultas o seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, enquanto espera que o STF se pronuncie sobre o status de refugiado político concedido a Battisti.Na entrevista, Frattini sugeriu que o ministro brasileiro pode estar arrependido da medida. "De qualquer forma, tenho a impressão de que nestes últimos dias o que ele mais faz é se esquivar de sua decisão. Acho que se deu conta de que cometeu um erro", declarou. Assinada pelo líder petista, deputado Maurício Rands (PE), a nota do PT defende Battisti e diz que, na Itália, "não lhe foi assegurado amplo direito de defesa". Cita ainda que os advogados do ex-militante foram presos e que "a defesa foi feita por advogados que usaram procurações falsas". E lembra o fato de a principal testemunha contra Battisti ter sido "um preso protegido pelo instituto da delação premiada (Pietro Mutti) e conhecido, até por setores do judiciário italiano, por ter uma imaginação prodigiosa".Para a bancada do PT, o episódio foi "superdimensionado" pela mídia. Na nota, Rands destaca o fato de que a França acabou de negar um pedido de extradição feito pela Itália contra a ex-militante das Brigadas Vermelhas Marina Petrella e que, "curiosamente, a reação do governo italiano foi mais branda" do que aquela manifestada diante da decisão brasileira. A nota se encerra com uma crítica à "direita", pelo que o líder petista chamou de tentativa de politizar a questão. "Só a falta de bandeiras políticas consistentes de direita pode explicar o interesse excessivo dispensado ao episódio Cesare Battisti", diz a nota dos deputados. FRASESFranco FrattiniMinistro italiano"(Tarso Genro) É o típico político sul-americano ligado às áreas mais radicais da esquerda, que vê em Battisti não um terrorista ou um assassino, mas um guerrilheiro da ''liberdade''"Bancada do PTNota da liderança"O ministro exerceu atribuição privativa que lhe é assegurada pela Constituição"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.