PT anuncia processo contra empresário Rubnei Quícoli

Depois de entoar o coro de que as denúncias sobre o esquema de lobby na Casa Civil eram eleitoreiras, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, anunciou hoje que o partido pediu a Polícia Federal (PF) abertura de inquérito para investigar as novas denúncias de tráfico de influência envolvendo Israel Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

CAROL PIRES, Agência Estado

16 de setembro de 2010 | 20h03

A legenda também atacará o empresário Rubnei Quícoli, autor das novas denúncias, na Justiça criminal (por crime de calúnia e difamação) e na civil (por danos morais) pelas declarações feitas por ele à imprensa de que parte do dinheiro movimentado no esquema de propina teria como destino a campanha presidencial de Dilma Rousseff.

De acordo com Rubnei Quícoli , Israel Guerra cobrou 5% da EDRB do Brasil para conseguir um financiamento de R$ 9 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ainda segundo as declarações do empresário, teria partido do ex-diretor dos Correios Marco Antônio Oliveira a informação de que a propina seria usada para abastecer a campanha petista.

Para Dutra, as denúncias de Quícoli revelam "uma clara tentativa de forjar um envolvimento do PT e da campanha". "Não admitimos que ninguém, e principalmente um cidadão com essa folha corrida, venha a fazer a tentativa de forjar a participação da campanha e do PT neste episódio", afirmou. "Ele está dizendo que essa cobrança de propina seria para financiamento de campanha e nós temos absoluta convicção de que isso não existiu", completou.

Segundo Dutra, se ficar provado que Marco Antônio Oliveira estava pedindo dinheiro em nome da campanha, ele também será processado. Ainda na tentativa de desvincular as denúncias de tráfico de influência da campanha presidencial, Dutra afirmou ainda, em entrevista para jornalistas, que ninguém além dele e do presidente do partido estão autorizados a negociar doações de campanha. Ao comentar a demissão de Erenice Guerra, o presidente do PT não quis especular quem seria o novo ministro da Casa Civil e se limitou a dizer que a campanha não se envolverá neste tema.

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