PT antecipa eleição interna e decide criar código de ética

A antecipação das eleições internas visa a evitar um choque com as articulações para as campanhas municipais

MAURÍCIO SAVARESE, REUTERS

02 de setembro de 2007 | 19h02

Os delegados do PT resolveram neste domingo, 2, antecipar para dezembro as eleições que definirão a nova cara do comando do partido, e indicaram a disposição de criar um código de ética para legenda. A antecipação das eleições internas, que estavam previstas inicialmente para o próximo ano, visa a evitar um choque com as articulações que serão feitas para as campanhas municipais de 2008, afirmaram os petistas no encerramento do 3º Congresso Nacional da legenda. Os filiados irão às urnas para o escolher seus novos dirigentes em 2 de dezembro e, se necessário, retornam para a segunda votação no dia 16 do mesmo mês. Veja também: PT pode abrir mão de candidato à sucessão de LulaDa crise do mensalão à volta do socialismo PT aprova plebiscito para reestatizar Vale Os quarenta do mensalão Lula diz que petistas devem defender réus do mensalão Suplicy canta Racionais e Bob Dylan em evento Apesar dos apoios explícitos do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, e do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, o atual presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP), afirmou que não será candidato à reeleição.  Berzoini assumiu a presidência do PT em 2005, depois da renúncia de José Genoino, acusado de envolvimento no esquema do mensalão, e do mandato tampão de Tarso Genro, hoje ministro da Justiça. "Minha disposição é de cuidar do meu mandato de deputado. Evidentemente, eu não fecho totalmente a porta, pois nós temos um diálogo interno a fazer, mas eu acredito que o mais correto é que nós façamos uma alternância na presidência neste momento", disse Berzoini. Vinculado à corrente Construindo um Novo Brasil, antigo Campo Majoritário, ele citou como potenciais sucessores a senadora Ideli Salvatti (SC), o ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci e o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Garcia já esteve no posto do próprio Berzoini enquanto ele se explicava em meio ao escândalo da suposta compra de um dossiê anti-tucano, durante as eleições do ano passado. Ética e transparênciaA decisão de criar um código de ética para o PT não terá efeito imediato, já que os delegados do partido evitaram se comprometer com uma data para a conclusão da elaboração do documento. Atualmente, os processos de avaliação do comportamento ético dos filiados ao PT são acompanhados apenas pelo Conselho de Ética do partido, que só faz análises caso seja convocado por um dos filiados. Lideranças da sigla, entretanto, consideram vagos os critérios para instauração dos processos, como o que resultou na expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares, que assumiu sozinho a responsabilidade pelo esquema de financiamento ilegal do partido, em 2005.A proposta de instauração de corregedorias para fiscalização dos petistas, encampada pelo ministro Tarso Genro, foi retirada neste domingo em troca da aprovação do código, ainda a ser formulado. Para Berzoini, o PT "terá maturidade para fazer um conjunto de normas que permitam a visibilidade do filiado em relação aos atos dos seus dirigentes", depois de instituído o novo código de ética. Ele afirmou que o clima entre as correntes foi de unidade diante das dificuldades recentes, o que resultou em um congresso pacífico, ainda que os casos dos envolvidos com corrupção no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham sido pouco discutidos."Nenhuma força política propôs qualquer iniciativa em relação a comportamentos individuais aqui no congresso, pelo entendimento de que o congresso é um espaço para discussão de idéias, não de casos... a reflexão é permanente, mas com muita maturidade", afirmou Berzoini a jornalistas, repetindo em parte o discurso de Lula no sábado.

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