PT amplia alianças com partidos de centro-direita

O PT ampliou suas alianças partidárias para tentar ganhar as eleições em um número maior de municípios, mudando o perfil ideológico tradicionalmente seguido pelo partido. O balanço das candidaturas petistas e de suas coligações mostra um salto no apoio que o PT recebeu de partidos de linha mais conservadora, como PTB, PL, PP e até PFL comparativamente às alianças acertadas na última eleição municipal e na de 2002 para presidente da República e para governadores. "Em 2002, a aliança era de centro-esquerda, agora predominou uma aliança de centro-direita", afirmou o secretário-geral e coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, Sílvio Pereira. Para ele, no entanto, no geral continua um perfil de coligações de centro-esquerda. "O PT vem se tornando um partido aliancista." O PFL, que faz a oposição mais agressiva ao governo, está junto com o PT em 3 cidades entre as 95 com mais de 150 mil eleitores: Niterói (RJ), Nova Iguaçu (RJ) e São José dos Campos (SP). A prioridade é vencer nessas 95 cidades, mantendo as 8 capitais que administra. O PTB, que planeja se tornar o principal partido da base de Lula depois do PT, apóia os petistas em 22 disputas entre os 95 maiores municípios. Em 2000, foram 2. O PP, que na última eleição não apoiou nenhum candidato a prefeito petista, está junto com o PT em três disputas. Já os apoios do PL saltaram de 3 para 20. Em compensação, aliados como o PSB (de 21 para 19) e o PDT (de 11 para 10) reduziram os apoios. Leque O presidente do PT, José Genoino, defende a política de alianças e nega que ela provoque desgaste político. "São partidos da base. O PL disputou as eleições com o vice de Lula e o PTB apoiou o presidente no segundo turno", argumenta. "O PT é um partido ideologicamente de esquerda e não está mudando o seu programa." Quanto ao PFL, Genoino dá sua própria classificação. "Não temos aliança com o PFL. Aliança significa compor a chapa e o compromisso de governar junto. Do PFL estamos recebendo apoio." Apesar do novo leque de alianças do partido, Pereira afirmou que há um princípio básico seguido pelo partido: "Não há hipótese de aliança com algum candidato que não apóie Lula." A aproximação do PMDB com o governo não produziu o resultado que o PT esperava. Em São Paulo, o PMDB retirou o apoio aos candidatos petistas em 42 municípios depois que as negociações na capital com a prefeita Marta Suplicy fracassaram. "A estratégia com o PMDB deveria ter sido de discussão local", considerou Pereira. Em 2000, o PMDB apoiou candidatos do PT em 5 das 95 maiores cidades. Neste ano, esse apoio cresceu para 7. Nas 95 maiores cidades, o PT lançou 77 candidaturas próprias e apóia 18 candidatos de partidos aliadoss.

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