PT ameaça investigar gestão da Petrobrás no governo FHC

Senador João Pedro, do PT do Amazonas, lembra do acidente da P-36

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Futuro integrante da CPI da Petrobrás, o senador João Pedro (PT-AM) defendeu ontem que a comissão de inquérito investigue supostas irregularidades ocorridas na estatal no governo Fernando Henrique Cardoso. Com ampla maioria na CPI, o governo deixou claro que vai para o enfrentamento com a oposição: indicou sua tropa de choque para participar das investigações e blindar a Petrobrás e, agora, faz ameaças. A comissão parlamentar de inquérito será instalada na terça-feira, quando serão escolhidos presidente e relator. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), era ontem o mais cotado para assumir a relatoria. Confira entrevista do senador tucano Álvaro Dias sobre a ofensiva do PSDB"Acho que temos de ir no passado da Petrobrás e investigar coisas como o acidente da plataforma P-36, gestores da estatal durante o governo Fernando Henrique, além de outros acidentes graves que ocorreram", afirmou ontem João Pedro, que é cotado para presidir a CPI, assim como a líder do governo no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC). Em 2001, a plataforma P-36, na bacia de Campos (RJ), afundou após três explosões, deixando 11 mortos. "É tão ridículo fazer uma afirmação dessas para tentar intimidar a oposição. É medíocre", reagiu o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do pedido de criação e um dos integrantes da CPI da Petrobrás.Depois de anunciar que iria impedir as votações no plenário do Senado em represália à decisão do governo de controlar os dois postos de comando da CPI, a oposição voltou atrás ontem e fez um acordo para votar todas as medidas provisórias que trancam a pauta do Senado. A única exceção é a MP que destina R$ 14,2 bilhões para o Fundo Soberano do Brasil (FSB). A oposição justificou o recuo sob o argumento de que não queria ser acusada de derrubar o novo salário mínimo de R$ 465, em vigor desde 1º de fevereiro, nem a MP que trata da ampliação da distribuição da merenda escolar. "Não podíamos ser acusados de votar contra o salário mínimo ou a merenda escolar", argumentou o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). O nome de Jucá era o preferido dos aliados para ser o relator da CPI, apesar da resistência do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), em escolhê-lo para o cargo. Um dos motivos alegados pelo líder seria a pressão do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para indicar o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) - que é segundo suplente do governador - para ser o relator do inquérito. Além disso, Calheiros ficou irritado com Jucá, que, na semana passada, fez uma negociação com o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), para dividir o comando da CPI.A favor de Ideli Salvatti (PT-SC), outra cotada para presidir a CPI da Petrobrás, os aliados argumentam que a líder tem mais experiência que João Pedro, além de ser considerada uma das estrelas da tropa de choque do governo. Mas um dos empecilhos era o risco de ela ficar sobrecarregada ao acumular os cargos de presidente da CPI e líder do governo.

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