PT ameaça formar bloco governista no Congresso

O PT quer evitar que o PMDB se agrupe ao PSDB e PFL para montar um bloco de oposição na Câmara e, se isso ocorrer, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaça fazer um bloco governista. Pelas contas do PT, os aliados de Lula poderiam reunir 230 deputados filiados a partidos que apoiaram o presidente no segundo turno das eleições, sem contar os dissidentes do PMDB e do PPB. ?Se levarmos em conta os parlamentares que apoiaram Lula nos Estados, teríamos maioria absoluta, ou seja, uma base de 257 deputados?, previu o presidente do PT, deputado José Genoino (SP), depois da reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no Palácio do Planalto. Nas estimativas de José Dirceu, esse número poderia chegar a 300 parlamentares. Os petistas avaliam que não interessa também ao PMDB, um partido rachado, integrar um eventual bloco entre PFL e PSDB. Pelo regimento, para participar de um bloco o partido precisa ter assinatura da metade mais um de seus representantes na Câmara e Senado.Pelos números da eleição de outubro, um bloco entre PSDB e PFL reuniria 155 deputados. Mas se o PMDB, que tem 74 parlamentares, decidir por esse bloco, o PT reagruparia, em contrapartida, os governistas que hoje somam 229 deputados, um número superior às bancadas juntas do PSDB, PMDB e PFL. ?Se for para alterar a correlação de forças na Câmara, faremos um bloco majoritário?, disse o líder do PT, deputado Nelson Pellegrino (BA). Ontem, em conversas com os líderes do PSDB, Jutahy Júnior (BA), e do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), Pellegrino descartou a possibilidade de o bloco PSDB e PFL lançar candidato à presidência da Câmara contra o PT. ?Não vamos aceitar que este bloco seja articulado para descredenciar o PT de indicar o presidente da Câmara, um direito regimentar por ter a maior bancada?, afirmou Pellegrino.Pellegrino defendeu hoje a participação do PMDB na base de apoio do governo. ?Temos interesse nisso, mas é preciso que o PMDB resolva seus problemas internos?, disse. Ele admitiu a possibilidade de o PMDB participar do governo com a manutenção de seus quadros no segundo escalão. Como deseja o apoio do PMDB e interessa ao PT manter o acordo com o partido, o líder reafirmou que o PT apoiará o candidato a ser indicado pela bancada peemedebista à presidência do Senado. ?Pode haver simpatias por outro candidato, mas essa simpatia não fará com que o governo entre em campo para garantir sua eleição?, disse, ao ser indagado sobre a possibilidade de setores do PT apoiarem a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) contra a do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), preferido da cúpula peemedebista. Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e o Congresso

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