PT admite traições a Temer se Sarney vencer

Avaliação foi feita ontem na primeira reunião do ano da Executiva Nacional

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

A cúpula do PT considera "muito difícil" a eleição de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado e não descarta a possibilidade de traições na Câmara, caso o senador José Sarney (PMDB-AP)vença a disputa, na segunda-feira. A avaliação foi feita ontem, na primeira reunião do ano da Executiva Nacional do PT, embora oficialmente o discurso seja o da coesão. Veja a sucessão dos presidentes do Senadoe"Lamentavelmente o voto é secreto", afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). "Deveria ser aberto, para assegurar a posição partidária." Ainda assim, Berzoini disse ter "total convicção" de que os deputados do PT cumprirão o acordo com o PMDB e votarão em Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara.Viana esteve ontem na sede do PT e pediu à Executiva que o ajude a conquistar votos na seara tucana. O petista vai se reunir hoje com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e com o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), que já manifestaram aval a Sarney. Viana aposta, porém, que o governador José Serra - desafeto de Sarney - possa reverter votos em seu benefício."Negar que essa disputa é difícil e acirrada é negar a realidade", admitiu Berzoini. "É difícil, mas não está encerrada." Na tentativa de dissipar as preocupações, no entanto, Berzoini lembrou que, em 2007, muitos não acreditavam na viabilidade eleitoral de Arlindo Chinaglia (PT-SP), que rachou a base de sustentação governista ao concorrer contra Aldo Rebelo (PC do B-SP). O discurso para consumo externo, porém, não condiz com as articulações de bastidores. O receio é que deputados descontentes com o excessivo poder do PMDB deixem Temer ao relento e descarreguem votos em Aldo ou mesmo em Ciro Nogueira (PP-PI). Cálculos do partido indicam que aproximadamente 12 petistas, capitaneados pelo deputado Domingos Dutra (MA), trairão Temer."A votação é secreta, não há como fazer a conferência dos votos", argumentou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). No diagnóstico de Viana, a nova correlação de forças no Congresso afetará as alianças para a eleição presidencial de 2010. "O PMDB, no comando da Câmara e do Senado, provoca um desequilíbrio partidário que pode afetar tanto a candidatura de Dilma (Rousseff) como a de (José) Serra", observou.

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