PT acusa Yeda de usar crise para aplicar programa neoliberal

A bancada do PT na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul acusou a governadora Yeda Crusius (PSDB) de superestimar a crise financeira do Estado para retomar a agenda do ajuste fiscal neoliberal, às custas dos pobres e do funcionalismo público. Em documento distribuído a jornalistas em oito cidades gaúchas, nesta segunda-feira, os deputados afirmam que as "opções políticas e administrativas (de Yeda) revelam um governo autoritário, insensível às necessidades do povo e descompromissado com o fortalecimento dos serviços públicos".A avaliação petista também será distribuída à população em panfletos que os próprios parlamentares levarão às ruas nesta terça-feira, quando o governo completa cem dias. A oposição está inferiorizada na Assembléia Legislativa. O PT tem dez cadeiras, o PCdoB tem uma e o PSB duas. As outras 42 cadeiras estão com os partidos que apóiam Yeda, entre os quais o PSDB, PMDB, PP, DEM, PDT e PTB. O governo do Estado não comentou a crítica petista, preferindo deixar para falar no assunto na sua própria avaliação dos primeiros cem dias, que será feita nesta terça-feira."Se assustou a população com um déficit de R$ 2,4 bilhões e agora se fala em R$ 1 bilhão", destacou o líder do PT na Assembléia, Raul Pont. "Como é possível tamanha discrepância?", perguntou. A diferença de R$ 1,4 bilhão foi explicada por Yeda em palestra para empresários no dia 14 de março. Segundo a governadora, houve um repasse de R$ 250 milhões do governo federal no final do ano passado e o Tesouro está diante da perspectiva de arrecadar cerca de R$ 150 milhões a mais graças à boa safra agrícola deste ano. Além disso, R$ 500 milhões devem ser poupados com redução do custo da máquina pública e outros R$ 500 milhões devem ser arrecadados por cobrança de dívida ativa e suspensão de benefícios fiscais.Para Pont, sob a desculpa de estar em apertos financeiros, o governo de Yeda já atrasou o salário de quem ganha mais de R$ 2,5 mil por dez dias, extinguiu o Gabinete da Reforma Agrária e suspendeu verbas para programas sociais como Primeiro Emprego, Minha Casa e Regularização Fundiária, entre outros.Ao mesmo tempo, afirma o deputado petista, o Executivo não falou em cortar benefícios fiscais que chegam a R$ 5 bilhões. "Se o governo pudesse contar com isso não haveria a crise", sustentou Pont, que também criticou Yeda por não ter criado ainda um teto salarial para o funcionalismo, por não pensar em extinguir o Tribunal Militar, instituição que poucos Estados têm e por estar programando a venda de ações do Banrisul.

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