PT aceita união informal com tucanos em BH

Acordo para solucionar impasse na capital mineira prevê que proibição seja substituída por recomendação à seção municipal do partido

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 00h00

O Diretório Nacional do PT deverá recomendar hoje à seção municipal do partido em Belo Horizonte que retire o PSDB da aliança para a eleição municipal na capital mineira, mas permitirá a coligação informal. O acordo começou a ser costurado ontem em reunião do antigo Campo Majoritário - corrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e a tendência é que receba sinal verde das outras alas do PT. A saída para o impasse é uma proibição que não pode soar como veto à parceria com o governador de Minas, Aécio Neves.Se tudo correr como o script combinado, a cúpula do PT passará a borracha nos verbos "proibir" e "vetar", que serão substituídos pela recomendação. A proposta feita sob medida para encerrar a crise prevê que o Diretório Municipal petista acate a "orientação" e faça a dobradinha com o PSDB de maneira informal, sem casar de papel passado com os tucanos. Formalmente, a aliança será com o PSB e, portanto, a coligação não terá direito ao dote de quatro minutos diários, no horário eleitoral gratuito de TV, destinado ao PSDB. O candidato à Prefeitura de Belo Horizonte é Márcio Lacerda (PSB), ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Aécio, e o vice, o deputado estadual Roberto Carvalho (PT).O jogo de palavras para amenizar a dureza do veto em Belo Horizonte foi a fórmula encontrada, na opinião de dirigentes do PT ouvidos pelo Estado, para que não haja vencidos nem vencedores no episódio. A solução começou a ser articulada na terça-feira, depois que Lula entrou em campo para reverter a decisão da Executiva Nacional de proibir a aliança.Em dois telefonemas antes de viajar para o exterior, Lula disse ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que era preciso encontrar uma saída para o impasse. Além disso, deputados do PT como André Vargas (PR), João Paulo Cunha (SP), José Genoíno (SP), Virgílio Guimarães (MG), José Guimarães (CE) e Maurício Rands (PE), líder da bancada, fizeram a mediação entre Berzoini, Pimentel e o Palácio do Planalto, para construir o acordo. As conversas foram intensificadas na quarta-feira em reuniões com Luiz Dulci, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula.Apesar da polêmica criada em Belo Horizonte, sob o argumento de que a dobradinha fortaleceria Aécio - pré-candidato do PSDB à sucessão de Lula, em 2010 -, o PT já aprovou 12 coligações com partidos que não integram a base do governo. Levantamento do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) indica, ainda, que há cerca de 500 pedidos de aliança entre o PT e legendas que não apóiam Lula.Em Carapicuíba (SP), por exemplo, o PT tem o arquiinimigo DEM na coligação. O mesmo ocorre em Campinas, onde o DEM está na aliança, encabeçada pelo prefeito Dr. Hélio (PDT), que disputa o segundo mandato tendo o PT como vice. Não é só: em Aracaju (SE), o PSDB apóia a reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B) e, mais uma vez, o PT é vice da chapa.Embora a alegação do PT para criar caso em Minas seja a de que uma parceria assim pode jogar água no moinho de Aécio, na prática há fatores bem mais pragmáticos por trás da briga. O confronto na seara petista envolve disputas pelo controle do partido no Estado e a eleição para o Palácio da Liberdade, em 2010.

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