PSTU: Gasta-se menos no Bolsa Família do que nos bancos

O candidato à Presidência da República pelo PSTU, José Maria de Almeida, o Zé Maria, fez duras críticas ao comportamento do PT nos últimos anos, partido que ajudou a fundar. Em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, antes de participar do Congresso em homenagem aos 25 anos da Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais (FSDM-MG), no Barreiro Velho, em Belo Horizonte, o político diz que o "crime do PT é dar essa ajuda mínima e extremamente limitada às famílias brasileiras, para que elas aceitem permanecer nessa situação, que segue sendo de extrema pobreza, ao mesmo tempo no qual eles deixam o grosso dos recursos ser repassado aos grandes bancos".

SUZANA INHESTA, CORRESPONDENTE, Agência Estado

25 de julho de 2014 | 20h05

Ele admitiu que o PT ampliou significantemente o Bolsa Família e que o programa ajudou realmente as pessoas. "Mas o que essas famílias precisam de fato é emprego, salário e moradia dignos. Porque o PT faz uma propaganda que a prioridade é o pobre, mulher, negro, mas vamos às coisas concretas: gasta-se menos no Bolsa Família do que nos bancos", disse. "Como o próprio ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse no final do seu segundo mandato como presidente: nenhum empresário ou banqueiro do País poderia reclamar dele porque ''nunca antes na história desse País'', eles ganharam tanto dinheiro. E é verdade. Só que não foi para isso que construímos o PT", declarou. Procurado, o PT não se manifestou o início da noite desta sexta.

Zé Maria quer se apresentar como "uma outra alternativa" à polarização de PT e PSDB. "PSDB já governou o País e foi uma tragédia para os trabalhadores. O Eduardo Campos (PSB) já foi (do governo do) do PT e não é outra via, é o mesmo modelo econômico. E o PT nesses 12 anos só conseguiu demonstrar o mesmo sistema de governo dos anteriores, mantendo os privilégios para aqueles que sempre foram privilegiados", disse. Entre as suas propostas, estão o atendimento das demandas das manifestações: melhor acesso à saúde, educação, reforma agrária, além de estatização de bancos privados, reestatização do setor energético e de telefonia, nacionalização de terras e combate ao racismo, machismo, homofobia e preconceito com os pobres.

"São medidas que o PSTU acredita que só vão ser aplicadas no País por um governo que seja da classe trabalhadora que rompa de fato com os grandes empresários e banqueiros, do sistema financeiro", declarou. Embora seja candidato, Zé Maria acredita que o sistema eleitoral seja suficiente para realizar esses projetos. "As eleições no Brasil são completamente controladas pelo poder econômico, padece de falta de democracia absurda. Tem que botar o povo na rua, tem que aumentar o número de greve, tem que radicalizar o povo. Sem o povo mobilizado, não vamos ter condições de mudar o que está aí", declarou.

A campanha dele prevê gastos de R$ 200 mil enquanto as dos principais candidatos são de milhões e o partido terá cerca de 40 segundos na TV enquanto as outras principais legendas terão a partir de dois minutos. "Não aceitaremos financiamento de empresas. Nossa campanha se dará pela ajuda da nossa militância, dos movimentos sociais e trabalhadores, de uso intensivo da internet e do tempo da TV", disse. Questionado sobre quem o PSTU apoiaria se o pleito nacional fosse decidido em segundo turno sem a sua participação, Zé Maria foi enfático: "Não apoiaríamos em nenhum".

Frente de Esquerda

Em Belo Horizonte, o PSTU e o PSOL se uniram e formaram a Frente de Esquerda. Perguntado sobre o motivo de não ter se criado algo parecido nacionalmente - a candidata do PSOL à presidência é Luciana Genro -, Zé Maria explicou que não houve um acordo entre os partidos.

"Em Belo Horizonte, conseguimos uma base de apoio ao projeto, ao programa, que fortalece as nossas ideias. E nacionalmente não houve acordo", disse. Segundo ele, o PSTU tem o objetivo de ganhar as pessoas para lutar por transformações profundas nessas eleições e o PSOL não concordou. "Eles nos disseram que não poderiam defender propostas tão radicais, porque isso dificultaria a conquista de votos. E aí disse a eles: olha, eu fui fundador do PT em 1980 e no começo o debate era esse: Lula foi candidato a governador de SP em 1982, teve 10% dos votos. Nós achamos bom e ele, uma desgraça. Porque ele tirou a conclusão que se não fizesse uma aliança com o empresariado, para ter financiamento e apoio na mídia, não teria como ele chegar à Presidência da República", contou. "Argumentei para o PSOL que esse movimento eu já vi, sei como começa e como acaba. Não vamos repetir isso. Queremos voto, mas com um conteúdo, aquele que defendemos", completou.

Denúncias

Zé Maria comentou que toda eleição é "um festival de baixaria" e às vezes há razão de se fazer denúncias contra os candidatos. "Está certa essa denúncia contra o Aécio, porque esse choque de gestão que ele diz ter feito em Minas Gerais só foi a maneira de dizer a mesma coisa que o Geraldo Alckmin (PSDB) faz em São Paulo ou que o PT faz em nível nacional. E essa promiscuidade se aproveitar de recursos públicos para o privado começa já na campanha eleitoral", declarou, citando o financiamento das empreiteiras nas campanhas e depois denúncias posteriores de superfaturamento de obras.

"Tudo isso é uma bandalheira. E todos eles fazem isso, porque é uma prática comum nesse País. Para acabar com essa corrupção deveria colocar os corruptos na cadeia e confiscar os bens dos corruptores também. Mas isso nunca se fez", ressaltou. Sua agenda de hoje foi a primeira em Belo Horizonte desde o início da campanha. Zé Maria informou que virá novamente a Minas Gerais na semana que vem, para um evento na cidade de Mariana, mas que retornará a Belo Horizonte mais vezes até o dia da votação.

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