PSOL tenta reabrir caso Argello

Partido diz que arquivamento teve influência de Renan

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

O PSOL vai recorrer amanhã ao plenário do Senado contra decisão da Mesa Diretora de arquivar a representação contra o senador Gim Argello (PTB-DF) por quebra de decoro. Autor da denúncia, José Nery (PSOL-AM) alega que o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), influenciou a Mesa, ao votar pelo arquivamento antes dos colegas. ''''No mínimo foi uma postura incorreta'''', argumentou. A praxe é o presidente votar por último.Ontem, o PSOL entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão da Mesa. O líder do partido na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ), reclamou que a ata da reunião só foi divulgada sexta-feira à noite. ''''E nem menciona quem votou de que maneira, é uma vergonha.'''' As duas horas de reunião foram resumidas em 40 linhas, sem detalhar quem falou o quê.Secretária-geral do Senado, Cláudia Lyra disse que é ''''uma ata resumida'''' e ''''o que importa é a decisão''''. O texto não menciona a informação dada por senadores de que Renan defendeu abertamente o arquivamento. Ele teve os votos de Efraim Morais (DEM-PB) e Papaléo Paes (PSDB-AP). Tião Viana (PT-AC) e Álvaro Dias (PSDB-PR) foram a favor de enviar a denúncia ao Conselho de Ética. Magno Malta (PR-ES) e César Borges (DEM-BA) se abstiveram.Os termos da denúncia contra Argello são iguais aos que fizeram Joaquim Roriz (PMDB-DF), titular da vaga, renunciar, para evitar o risco de ser cassado e perder os direitos políticos por oito anos. Ambos estão sob suspeita de envolvimento no esquema de desvio de recursos do Banco Regional de Brasília (BRB), investigado pela Operação Aquarela da Polícia Civil.O Senado tem dois pareceres a respeito do caso de Argello. A Consultoria Legislativa afirma que cabe à maioria dos senadores decidir se o colega ''''praticou ato que o torne indigno de conviver com seus pares, em razão de seu comportamento extravasar os limites de sua pessoa para extravasar na instituição''''. O parecer do advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, manda arquivar a denúncia.Há um precedente na Casa para orientar o procedimento do PSOL. No início de 2003, os integrantes da Mesa recorreram ao plenário contra decisão deles mesmos de engavetar representação contra o então senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), por suspeita de envolvimento em grampos ilegais. Eles alegavam que o fato tinha ocorrido antes de ACM assumir o mandato. O plenário decidiu o contrário, pelo envio da denúncia ao Conselho de Ética. O processo foi instalado e ACM, para não ser cassado, renunciou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.