PSOL reúne dados para mover ação contra Edison Lobão Filho

Suplente é suspeito de usar laranjas para ocultar dívidas e de obter ilegalmente concessões de rádio e TV

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

25 de janeiro de 2008 | 20h25

O PSOL está reunindo todos os dados dos processos contra o suplente de senador Edison Lobão Filho (DEM-MA), para mover uma representação por quebra de decoro e impedir que ele assuma o lugar do pai, Edson Lobão (PMDB-MA), que deixou a cadeira para assumir o Ministério de Minas e Energia. Ele é suspeito de usar uma empregada doméstica como laranja para ocultar dívidas e lesar o Fisco e de ilegalidades na obtenção de concessões de emissora de rádio e canal de televisão no Maranhão.   A ação será decidida na primeira reunião do PSOL, em 11 de fevereiro, após o retorno do recesso parlamentar, segundo informou líder do partido na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ). "A situação do senador suplente é muito fragilizada porque, além das graves acusações de que é alvo, ele tem baixa legitimidade por chegar ao cargo sem voto e sem mérito, mas apenas por ser filho de um cacique político", disse.   Além disso, conforme o deputado, a posição de Lobão Filho é tão indefensável que ele próprio admite sequer assumir o cargo. "Ele não deu explicações para os crimes pelos quais é processado e até agora não reagiu com a indignação do injustiçado", observou. "O Brasil, que há séculos luta contra a praga do coronelismo, agora vive a era do filhotismo na política", acrescentou Alencar.   Segundo o deputado, os termos da denúncia, a ser encaminhada à Comissão de Ética do Senado, serão analisados com cautela para evitar a frustração de tentativas anteriores. O Senado rejeitou representações movidas pelo partido contra outros parlamentares em situação idêntica, como o também ex-suplente Gim Argello (PMDB-DF), por considerar que os crimes atribuídos a ele eram anteriores ao mandato.   "O País não quer mais ouvir essa desculpa para a impunidade. Os fatos pelos quais ele responde foram cometidos antes do mandato, mas os problemas deles derivados são atuais e atentam contra a ética na política", enfatizou o deputado. Ele disse que as providências para a abertura da representação estão sendo coordenadas pelo único senador do partido no Congresso, José Nery (PA).   De volta dos Estados Unidos, onde estava de férias com a família, Lobão Filho não quis se manifestar sobre a iniciativa do PSOL. Ele tem 60 dias de prazo para assumir a cadeira de senador. Sua assessoria informou que ele avalia dar uma entrevista coletiva na próxima semana para se defender de todas as acusações e anunciar seu destino político. Lobão Filho deve deixar o DEM, que o recusa nos seus quadros.

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